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Pisar em ovos cansa: O impacto de viver com quem reage a tudo

Psicóloga Caroline Dias Braga explica como a baixa tolerância à frustração pode desencadear reações desproporcionais, desgastar relacionamentos e comprometer o bem-estar emocional
Pisar em ovos cansa: o impacto de viver com quem reage a tudo. Foto: Divulgação

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Uma crítica no trabalho, um compromisso desmarcado, um atraso no trânsito ou uma simples contrariedade. Situações comuns da rotina podem provocar reações muito maiores do que o próprio acontecimento. Em casa, no trabalho ou entre amigos, quem convive com pessoas que respondem dessa forma costuma desenvolver um comportamento quase automático: medir cada palavra e “pisar em ovos” para evitar uma nova explosão.

Segundo a psicóloga Caroline Dias Braga, esse padrão está frequentemente relacionado à dificuldade de lidar com a frustração e de regular as próprias emoções. “A intensidade emocional, por si só, não é um problema. A dificuldade aparece quando a pessoa perde a capacidade de responder aos acontecimentos de forma proporcional, permitindo que pequenas frustrações assumam dimensões muito maiores do que realmente têm”, explica.

A especialista destaca que a baixa tolerância à frustração faz com que críticas, imprevistos ou negativas despertem emoções como raiva, tristeza ou vergonha com intensidade elevada. Nessas situações, a reação costuma ser impulsiva e acaba afetando não apenas quem tem a vivência, mas também as pessoas ao redor. “O ambiente se torna imprevisível. Familiares, parceiros e colegas passam a agir com cautela constante, receosos de provocar uma reação desproporcional.”

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Embora muitas pessoas se considerem apenas “intensas”, Caroline ressalta que esse comportamento não precisa ser encarado como um traço imutável da personalidade. A forma como cada um aprende a lidar com as emoções é construída ao longo da vida e pode ser transformada por meio do autoconhecimento e do desenvolvimento de estratégias mais saudáveis de regulação emocional.

O primeiro passo, segundo a psicóloga, é substituir o julgamento pela observação. “Viver com equilíbrio não significa deixar de sentir. Significa reconhecer as emoções, compreendê-las e escolher como responder a elas, sem permitir que assumam o controle da própria vida.”

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