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Economia

Casas Bahia fecha 298 lojas e demite 1,9 mil funcionários em todo o Brasil

A medida integra um amplo plano de reestruturação do grupo, iniciado em 2023, para cortar despesas, aumentar a eficiência operacional e reorganizar as finanças diante de prejuízos bilionários.
Casas Bahia fecha 298 lojas e demite 1,9 mil funcionários em todo o Brasil. Foto: Divulgação

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A Casas Bahia anunciou nesta sexta-feira (14) o fechamento de 298 lojas e a demissão de cerca de 1,9 mil funcionários em diferentes estados do Brasil, movimento que representa quase 30% de redução em sua rede física. A medida integra um amplo plano de reestruturação do grupo, iniciado em 2023, para cortar despesas, aumentar a eficiência operacional e reorganizar as finanças diante de prejuízos bilionários.

Unidades de cidades em estados como Paraná, Pernambuco, Bahia e Mato Grosso do Sul amanheceram fechadas, em alguns casos com avisos informando que não haveria expediente. Segundo apuração do jornal Valor Econômico, os cortes ocorreram entre quinta (13) e sexta-feira (14), com cerca de 600 demissões na quinta e entre 1,3 mil e 1,4 mil colaboradores desligados nesta sexta, o que pode elevar o total a até 3 mil dispensados.

Antes dos encerramentos, o grupo contava com pouco mais de mil unidades espalhadas pelas cinco regiões brasileiras. O fechamento de 298 lojas equivale a 28,7% da rede da companhia, conforme dados do Valor.

Prejuízo bilionário impulsiona plano de ajuste

A decisão ocorre após trimestres seguidos de resultados negativos. No primeiro trimestre de 2026, a Casas Bahia registrou prejuízo líquido de R$ 1,064 bilhão, mais que o dobro dos R$ 408 milhões negativos no mesmo período de 2025. Em 2025, a companhia acumulou prejuízo líquido de aproximadamente R$ 3 bilhões.

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Apesar do avanço nas vendas e na geração de caixa, o grupo ainda sofre com o peso das despesas financeiras e da taxa elevada de juros. A receita líquida, por outro lado, cresceu 6,1% e alcançou R$ 7,4 bilhões entre janeiro e março deste ano. O Ebitda ajustado da empresa totalizou R$ 597 milhões no primeiro trimestre de 2026.

Estratégia de reestruturação e aposta em IA

Desde 2023, a companhia vem promovendo mudanças em sua estrutura, com revisão de estoques, encerramento de unidades consideradas pouco rentáveis e simplificação de setores administrativos e tecnológicos. O plano de transformação da companhia prevê acompanhamento da rentabilidade de cada unidade e encerramento de operações que não geram valor.

Paralelamente, a varejista tem ampliado sua atuação no comércio eletrônico e investido em ferramentas de inteligência artificial para tarefas como gerenciamento de estoque, definição de preços e análise das operações. O CEO Renato Franklin, que assumiu em 2023 com a missão de promover a reestruturação, afirma que a “otimização de custos” só é possível graças à nova geração de IA.

Hoje, 16 mil dos quase 30 mil funcionários do grupo já usam IA frequentemente, e cerca de mil agentes de IA rodam na operação, desenvolvidos a partir de modelos como Claude (Anthropic) e Gemini (Google). Entre os projetos mais maduros está o Bah.IA, copiloto lançado no fim de 2024 que auxilia vendedores com informações em tempo real sobre produtos e ofertas. A empresa também já lançou uma IA que vende pelo WhatsApp e se prepara para vender dentro de ferramentas como ChatGPT.

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Nos 12 meses encerrados em março, a Casas Bahia já havia fechado 26 lojas — 12 da Casas Bahia e 14 do Ponto Frio, antes do movimento mais agressivo desta semana. O fechamento de quase 300 lojas de uma vez marca um dos maiores ajustes na história recente da varejista, em um esforço para colocar as contas em dia.

As ações da Casas Bahia (BHIA3) acumulam desvalorização de 80% em 2026, cotadas a R$ 0,64, refletindo a pressão sobre o valor de mercado da companhia, estimado em R$ 660 milhões. O resultado financeiro líquido ficou negativo em R$ 1,17 bilhão no primeiro trimestre, 27% pior que um ano antes.

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