Quem vive em Goiás já sabe: os meses passam, as chuvas diminuem, o céu fica azulzinho e a umidade do ar despenca. No nosso estado, predomina o clima tropical, marcado por duas estações bem definidas: um período chuvoso, concentrado entre outubro e abril, e outro mais seco, entre maio e setembro. Por isso fazemos a brincadeira: Goiás tem duas estações do ano, quente com chuva e quente sem chuva.
A ciência explica: durante o inverno, massas de ar seco persistem sobre grande parte do Brasil Central e dificultam a formação de nuvens de chuva. É por isso que passamos meses com 0 milímetro de precipitação. O resultado são as vazões dos mananciais, que tendem a diminuir progressivamente ao longo da estação seca.
É por isso que, todos os anos, a Saneago se prepara para atravessar o período de estiagem com investimentos na ampliação e melhoria dos sistemas de abastecimento, perfurando e interligando poços, melhorando as infraestruturas de captação e acompanhando constantemente os níveis e as vazões dos mananciais. Essas ações aumentam a segurança operacional dos sistemas. Mas a água não é um recurso infinito. Em períodos prolongados de seca, cuidar do que está disponível continua sendo uma responsabilidade compartilhada.
A boa notícia é que economizar não exige sacrifícios. Reduzir o tempo do banho, fechar a torneira enquanto escova os dentes ou ensaboa a louça, consertar vazamentos, evitar lavar calçadas com mangueira e deixar a lavagem do carro para depois são atitudes simples que, somadas, fazem diferença. Durante a estiagem, cada litro poupado ajuda a preservar os mananciais e a garantir água para os usos essenciais de toda a população.
E o El Niño?
Onde entra o El Niño nessa história? O fenômeno altera padrões de circulação atmosférica em várias partes do planeta, intensificando a estiagem. Os órgãos oficiais de meteorologia apontam para a formação de um Super El Niño para o segundo semestre de 2026 e o primeiro semestre de 2027, que poderá diminuir ainda mais as chuvas e causar aumento nas temperaturas.
O cenário reforça a importância de olhar para a água disponível nos mananciais como uma espécie de reserva que precisa atravessar vários meses de pouca chuva. Dados recentes do Monitor de Secas mostram que, entre junho e julho de 2026, a área atingida pela seca voltou a crescer no Centro-Oeste e Goiás esteve entre os estados que registraram a intensificação do fenômeno.
Atravessar o período de estiagem com tranquilidade depende de duas frentes: investimento e uso consciente. Enquanto a Saneago reforça os sistemas e acompanha de perto os mananciais, cada pessoa também pode ajudar a reduzir a pressão sobre as reservas disponíveis. Enquanto a chuva não volta com regularidade, economizar água é uma forma simples de ajudar a cidade inteira a chegar até a próxima estação chuvosa.
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