No terceiro trimestre de 2022, mais de 10,3 milhões de mulheres eram donas de negócios próprios no País. De acordo com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) – que conduz o estudo “Empreendedorismo Feminino no Brasil”, trata-se de um recorde na série histórica começada em 2016. O País nunca teve tantas mulheres atuando como empreendedoras. Diversas razões levaram a esse resultado. Um deles está diretamente ligado à pandemia de covid-19, que obrigou famílias inteiras a buscar formas alternativas de sobrevivência em face das restrições impostas pela crise sanitária. É o conhecido empreendedorismo de necessidade.
Mas também evidenciou algo que já era suficientemente claro: a força, a criatividade e o talento das empreendedoras brasileiras. Neste dia 8 de março, quando o mundo celebra o Dia Internacional da Mulher, os dados do IBGE não deveriam causar nenhuma surpresa, mas, infelizmente, ainda é necessário ressaltar o óbvio: mulheres e homens têm o mesmo potencial para qualquer atividade imaginável. No entanto, como o mundo foi construído, preponderantemente, sobre valores masculinos, temos, hoje, uma cultura geral que tende a desmerecer as mulheres, colocá-las em um patamar inferior… Muitas culturas as posicionam até mesmo em condição de plena submissão, recorrendo a dogmas religiosos – inclusive pseudo-cristãos, para justificar o injustificável.
Em pleno século XXI, ainda estamos muito longe de ver todos esses absurdos superados. Jamais poderemos classificar a humanidade como desenvolvida enquanto homens e mulheres não tiverem as mesmas oportunidades, direitos e obrigações… enquanto o gênero de cada um não se tornar algo completamente indiferente; enquanto mulheres receberem menos que homens para fazer exatamente o mesmo trabalho, enquanto empregadores preferirem contratar homens porque estes “não engravidam”, enquanto uma mulher tiver que provar que é competente “mesmo sendo mulher”…
É uma pena que algo assim seja tão difícil que se enquadre na esfera das utopias. Mas é uma utopia que precisa ser perseguida a todo custo. Não evoluiremos como humanidade enquanto tal “utopia” não se tornar realidade.
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