O número de fugas do sistema prisional em Goiás está crescendo. Comparado ao ano passado, o aumento foi de 53%. No primeiro quadrimestre deste ano foram 100 registros de fuga em 43 ocorrências. Em 2014, no mesmo período, 65 presos conseguiram sair da cadeia em 40 registros da Superintendência de Administração Penitenciária do Estado de Goiás (Seap). E, no mês de maio de 2015, pelo menos 26 presos conseguiram sair do sistema depois de renderem agentes penitenciários e de serrarem grades em presídios do interior. Ontem, uma tentativa de fuga foi frustrada no presídio de Cristalina.
Presidente da Associação dos Servidores do Sistema Prisional do Estado de Goiás (Aspego), Jorimar Bastos mostra pessimismo diante da questão. “A tendência é que tenhamos cada vez mais fugas. A estrutura que temos para o trabalho é precária, não há armamento adequado e falta treinamento.” Ele critica, ainda, as condições de trabalho. “Somos pouco mais de 1,3 mil servidores ativos, trabalhando em quatro plantões para atender uma população carcerária que supera 14 mil.” Bastos destaca que encaminhou documento ao Ministério Público informando a situação.
Caso não sejam tomadas providências, a categoria poderá parar. Uma assembleia será marcada para a próxima semana, na qual a greve estará em discussão. “Temos reclamado da falta de investimentos e de condições de trabalho há algum tempo e não encontrado respaldo. Não podemos ficar de braços cruzados. Lutamos por melhores condições de trabalho.” Bastos ressalta que, com a divisão em plantões, cada servidor chega a ficar responsável por até 80 presos.
Nos dois registros que ainda não constam nas estatísticas, ocorridos no domingo e na segunda, o número de foragidos já corresponde a pouco mais de um quarto do total deste ano. Na fuga registrada na manhã de segunda-feira em Itumbiara, 16 presos conseguiram fugir durante o banho de sol. Ao todo, 18 participaram da ação, mas 2 foram recapturados ainda dentro da área do Presídio de Sarandi. Outros sete presos fugiram da cadeia de Piracanjuba. Eles serraram as grades da cela e pularam.
Nos dois locais há superlotação. Em Itumbiara, cerca de 20 presos ocupam espaço para 6. Em Piracanjuba, a situação é a mesma. O promotor de justiça Haroldo Caetano acredita que esse seja um dos efeitos da superlotação. “O sistema prisional vive um colapso e o crescimento das fugas é apenas uma das consequências da ausência de políticas penitenciárias e de diretrizes para essa área em Goiás.” Em Cristalina, a terceira tentativa de fuga do ano foi frustrada ontem.
Na terça-feira da semana passada, três presos fugiram da cadeia de Trindade. Eles conseguiram uma brecha para pular o muro da unidade. Nenhum desses fugitivos foram recapturados.
Informações de O Popular








































