Um novo boletim integrado de órgãos federais indica que o El Niño deve atingir intensidade “muito forte” entre a primavera e o início do verão de 2026, aumentando a probabilidade de eventos extremos e desastres em todo o Brasil — e, em Goiás, o alerta é para uma combinação crítica de calor intenso, estiagem prolongada, chuvas irregulares e risco elevado de incêndios florestais.
Cenário para Goiás
Em Goiás, o fenômeno climático deve reforçar um padrão já observado em anos anteriores: atraso no início do período chuvoso, longos intervalos de estiagem e temperaturas acima da média entre agosto e novembro. O Centro de Informações Meteorológicas e Hidrológicas de Goiás (Cimehgo) estima que o início das chuvas regulares possa ser adiado entre 15 e 20 dias, com outubro marcado por precipitações irregulares e estiagens mais longas — cenário que preocupa especialmente produtores rurais.
As projeções apontam que Goiânia e outras cidades goianas podem registrar temperaturas superiores a 32°C e 34°C em períodos em que, normalmente, o clima já começaria a esfriar com a chegada das chuvas. Sem precipitações frequentes para amenizar o clima, especialistas alertam para ondas de calor mais intensas, redução dos níveis de rios e reservatórios, agravamento da seca e aumento do risco de queimadas.
Riscos de seca, incêndios e desabastecimento
A Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad) divulgou estudo que aponta 81% de probabilidade de ocorrência de um “super El Niño” em Goiás em 2026, com impactos diretos na disponibilidade hídrica e na temperatura média, sobretudo entre agosto e outubro. Em razão das altas temperaturas e do período mais longo sem chuvas, cresce o risco de desabastecimento público e escassez de recursos hídricos em diversos municípios.
A lista de cidades com maior risco de eventual desabastecimento hídrico inclui Anápolis, Aparecida de Goiânia, Goiânia (na região metropolitana), Trindade, Nerópolis, Rio Verde, Cristalina, Cidade de Goiás (Goiás Velho), Pirenópolis, Corumbá de Goiás, Cocalzinho de Goiás, Valparaíso de Goiás, Cidade Ocidental, Goiatuba, Mairipotaba, Crixás, Palmeiras de Goiás, Planaltina de Goiás, Aragoiânia e Guapó.
O segundo semestre de 2026 apresenta cenário de elevado risco para ocorrência de incêndios florestais no estado. A combinação de temperaturas elevadas, baixa umidade relativa do ar, prolongamento da estiagem e os efeitos do El Niño aumentam significativamente a probabilidade de ocorrência e propagação do fogo em áreas de vegetação nativa e de produção rural. Entre setembro e outubro, espera-se o pico do fenômeno, coincidindo com a fase mais crítica de propagação de incêndios em Goiás.
Impactos na agricultura e na pecuária
O impacto agrícola do El Niño em Goiás é majoritariamente negativo, com quedas frequentes na produtividade de grãos como soja, milho e feijão devido a chuvas irregulares, déficits hídricos e ondas de calor intensas. Pastagens, reservatórios usados pela pecuária e o preparo da próxima safra podem ser prejudicados, especialmente se a estiagem se prolongar além do esperado.
Estudos da Universidade Federal de Goiás (UFG) alertam que agricultores devem se atentar antes de iniciar o plantio da safra agrícola de grãos, já que o fenômeno pode afetar a regularidade do início das chuvas e gerar tempestades fora de época.
Recomendações e monitoramento
O governo do estado já reuniu órgãos para definir ações de enfrentamento aos efeitos do El Niño, com foco em prevenção de incêndios, monitoramento hídrico e preparação para eventos extremos. À população, a orientação é acompanhar os boletins oficiais do Cimehgo e da Defesa Civil, manter o cadastro atualizado para receber alertas e adotar medidas de economia de água e prevenção de queimadas.
Especialistas ressaltam que a intensidade do El Niño não determina, sozinha, a gravidade dos impactos: a dimensão dos danos dependerá das medidas de prevenção e mitigação adotadas nos próximos meses. Em Goiás, o monitoramento contínuo das previsões meteorológicas, hidrológicas e geológicas será fundamental para reduzir riscos de desastres e garantir a segurança hídrica e alimentar do estado.
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