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João de Deus presta novos depoimentos no Ministério Público de Goiás

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Escoltado por agentes da Diretoria-Geral de Administração Penitenciária, o médium João de Deus, preso preventivamente no Núcleo de Custódia do Complexo Prisional, foi encaminhado à Sede do Ministério Público estadual (MP-GO), onde chegou às 10h desta quarta-feira (26). Lá, ele foi ouvido por mais de duas horas sobre três das mais de 500 denúncias de abuso sexual das quais está sendo alvo desde que 10 mulheres se declararam vítimas do líder espiritual em um programa televisivo. Com o término da oitiva, o médium foi reconduzido por agentes armados de volta à sua cela.

De acordo com a defesa do médium, todas as perguntas foram respondidas e o líder espiritual não se lembrou de nenhuma das vítimas declaradas, ao passo em que negou, “com veemência”, ter praticado qualquer abuso sexual.

Segundo o advogado Alberto Toron, além da força-tarefa, a própria defesa pôde fazer perguntas ao médium. “As indagações foram específicas, relacionadas a casos de três senhoras. Ele não se lembrou de nenhuma delas. Ressaltou, entretanto, que eram atendidas muitas pessoas e que era e é impossível se lembrar de cada uma delas pelo nome, até porque não foram apresentadas fotos das supostas vítimas”.

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Também na tarde de hoje, a esposa de João de Deus, Ana Kelvia Teixeira, prestou depoimento na Delegacia Estadual de Investigações Criminais (Deic), a mesma onde o marido foi ouvido após se entregar no último dia 16.

De acordo com a Polícia Civil (PC), nenhum depoimento do médium deverá ser colhido ainda nesta semana, já que diligências e oitivas de testemunhas serão realizadas.

A defesa de João de Deus recebeu um reforço durante o dia de Natal (25). Desde então, o advogado Antônio Carlos de Almeida Castro, mais conhecido como Kakay, compõe a equipe com um objetivo específico: atuar em prol do pedido de liberdade protocolado nos tribunais superiores, em Brasília.  Até o momento, o jurista afirma ter havido uma negativa de liminar por parte do Superior Tribunal de Justiça (STJ), motivo pelo qual o pedido está com o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli.

“Ele solicitou informações ao Tribunal de Justiça de Goiás (TJGO) e também ao STJ, material que deve ser juntado ainda nesta quarta-feira (26). Minha intenção é ter um encontro com a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, para pedir urgência. O Intuito é fazer com que a liberdade dele saia antes do réveillon”, expõe. Um dos mais renomados advogados do Brasil, Kakay é contratado por vários acusados na Operação Lava Jato e também defende o ex-governador Marconi Perillo na Cash Delivery e desdobramentos.

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A contratação de Kakay pode ser interpretada como um último esforço esperançoso da defesa em obter a liberdade do médium, já que o bojo do inquérito contra João de Deus tem ficado cada dia mais robusto. Na última semana, em um porão, agentes da Polícia Civil (PC) encontraram mais R$ 1,2 milhão em dinheiro, mais uma arma e uma algema em uma propriedade do médium em Abadiânia. Várias pedras, supostamente, preciosas, também foram apreendidas e serão periciadas.

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