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Menos hierarquia: Empresas testam novos modelos de liderança

Empresas revisam estruturas de gestão diante da busca por mais autonomia, participação e escuta nas relações de trabalho
Créditos: iStock/JLco - Julia Amaral

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A liderança nas empresas passa por uma transformação impulsionada por mudanças nas relações de trabalho, nas expectativas dos profissionais e na própria organização dos negócios. Estruturas horizontais, decisões compartilhadas e maior autonomia das equipes ganham espaço, enquanto modelos baseados em centralização passam a ser reavaliados.

Uma pesquisa realizada em 2024 pela Academia Brasileira de Inteligência Comportamental ajuda a dimensionar esse movimento: embora 74% dos entrevistados aceitassem assumir um cargo de liderança, 68% consideram ultrapassado o modelo atual. O levantamento também aponta preferência por gestores capazes de inspirar, motivar e oferecer suporte às equipes.

Liderança acompanha mudanças na gestão empresarial

A redução de camadas hierárquicas não significa, necessariamente, o desaparecimento das posições de comando. A mudança está principalmente na maneira como a autoridade é exercida e na distribuição das responsabilidades. Em algumas organizações, decisões que antes ficavam concentradas nos níveis superiores são compartilhadas com profissionais mais próximos das operações e dos problemas.

Esse movimento também altera o papel dos gestores. Capacidade de escuta, comunicação, delegação e desenvolvimento de pessoas passam a dividir espaço com competências técnicas e acompanhamento de resultados. Criar clareza sobre os limites da autonomia é parte importante desse processo.

Entre os diferentes modelos de liderança, estão formatos que variam conforme o grau de participação da equipe. A liderança autocrática, por exemplo, concentra decisões no gestor e estabelece uma relação mais vertical. Já a democrática estimula a participação dos profissionais e considera suas opiniões na condução das atividades.

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Diferentes estilos atendem a diferentes contextos

Outro formato é a liderança liberal, caracterizada por maior autonomia dos integrantes da equipe e menor centralização das decisões. Em sua aplicação, profissionais preparados assumem mais responsabilidade sobre tarefas e escolhas, enquanto o gestor atua com menor interferência direta.

A autonomia, porém, exige critérios claros. Quando responsabilidades, objetivos e limites não estão definidos, a descentralização pode gerar insegurança, decisões desalinhadas e perda de produtividade. Por isso, a liderança liberal se diferencia de uma gestão simplesmente ausente: a distribuição de decisões depende de equipes capacitadas e de uma estrutura que estabeleça responsabilidades.

Há ainda modelos como a liderança situacional, que adapta a atuação do gestor de acordo com a maturidade da equipe, as características dos profissionais e as circunstâncias enfrentadas pela organização. Nesse formato, o nível de direção pode variar entre orientação próxima e delegação de tarefas, conforme a necessidade.

Outras abordagens priorizam desenvolvimento, inspiração ou conhecimento técnico. A liderança transformacional, por exemplo, valoriza inovação, participação e responsabilidade dos profissionais, enquanto a liderança técnica utiliza a experiência e o domínio da operação como elementos para orientar a equipe.

Menos hierarquia exige mais clareza

A busca por estruturas mais horizontais também impõe desafios à gestão de pessoas. Delegar decisões exige estabelecer metas, papéis e critérios de acompanhamento para que a autonomia esteja conectada aos objetivos do negócio. A ausência desses elementos pode transformar liberdade em falta de direção.

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O movimento não indica que exista um único formato adequado para todas as empresas. Uma equipe experiente e especializada pode responder bem a níveis maiores de autonomia, enquanto grupos em formação podem demandar acompanhamento mais próximo. O próprio conceito de liderança situacional parte dessa adaptação ao contexto

Nesse cenário, a liderança passa a ser menos associada exclusivamente à posição ocupada no organograma e mais relacionada à capacidade de coordenar pessoas, distribuir responsabilidades e criar condições para que as equipes atuem de forma alinhada.

A transformação dos modelos de gestão, portanto, não elimina a hierarquia em todas as organizações, mas amplia a discussão sobre como ela deve funcionar diante das novas exigências do trabalho

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