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Operação Simulatio realiza prisão de funcionários e despachantes de 14 municípios goianos suspeitos de fraudes em vistorias do Detran

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A Delegacia Estadual de Repressão a Furtos e Roubos de Veículos Automotores (Derfrva) deflagrou, na manhã desta terça-feira (6), a Operação Simulatio contra a simulação de vistorias de 1,5 mil veículos em Goiás. Segundo a Polícia Civil, isso permitia que carros clonados e adulterados fossem transferidos de dono e pudessem circular legalmente.

A operação, comandada pelo delegado Cleybio Januário, abrangeu 14 municípios goianos, dentre eles Formosa, Itapuranga, Nova Crixás, Águas Lindas, Aparecida de Goiânia, Planaltina, Guapó. Mais de dez funcionários e despachantes foram presos

A investigação da Delegacia Estadual de Repressão a Furtos e Roubos de Veículos Automotores começou após as gerências de auditorias e fiscalização do Departamento Estadual de Trânsito de Goiás (Detran-GO) constatarem aumento nas vistorias aprovadas ma cidade de Mundo Novo. Todas eram realizadas pela mesma vistoriadora, que era comissionada.

“Em oito meses, mais de 1,5 mil visitarias foram realizadas em um município que tem uma frota de 2 mil veículos”, destacou a gerente de auditoria, Luciana Gomes.

De acordo com a servidora, como tinha acesso ao sistema, a vistoriadora simulava a vistoria de veículos que seriam transferidos em outros 14 municípios, o que é irregular. Uma portaria do Detran determina que a análise do carro seja feita no mesmo local em que haverá a mudança nos documentos.

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Em depoimento à Polícia Civil, a vistoriadora confessou a simulação das vistorias. “Ela disse que, por ter essa possibilidade na função dela, ela começou a receber propostas e acabou fazendo as simulações. Ela recebia pequenos valores de cada vistoria, 50, 100, 200 reais e, às vezes, era até dividido”, afirmou o delegado Cleybio Januário.

Foram detidos outros oito servidores que atuavam como atendentes de Circunscrições Regionais de Trânsito (Ciretrans), sendo oito comissionados. Eles alegaram ao Detran que não sabiam da fraude. De acordo com Luciana, mesmo que desconhecem as simulações, eles transgrediram as regras porque aceitaram a vistoria de outra cidade, no caso, Mundo Novo.

Os despachantes detidos por suspeita de envolvimento no esquema eram credenciados ao Detran e eram os responsáveis por dar início ao processo de transferência dos veículos. Os donos dos automóveis não serão investigados.

“Não temos elementos para alegar qualquer crime dos proprietários porque poderiam entregar para os despachantes e os despachantes que pediam a simulação”, afirma o delegado.

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De acordo com o Detran, os oito servidores comissionados foram exonerados. Já o funcionário concursado está afastado de suas funções. Os nove respondem a processo administrativo. Os despachantes investigados também foram bloqueados no sistema do Detran.

Segundo Luciana, os 1,5 mil automóveis que tiveram a vistoria simulada estão bloqueados. Para que ocorra a regularização, eles devem passar pelo procedimento no município em que houve a transferência. Cada vistoria custa R$ 150.

Criminalmente, os investigados podem ser indiciados por inserção de dados falsos, associação criminosa e corrupção passiva. As penas, somadas, podem resultar em até 10 anos de prisão.

A Polícia Civil não divulgou o nome completo dos envolvidos.

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