Foi-se o tempo em que as opções para os amantes de cerveja se limitavam a clara e escura. Hoje, com a preparação artesanal, a bebida aparece adocicada, frutada e até com toques de especiarias, como gengibre. Para os “bebedores raiz”, há uma gama de possibilidades que vão das mais leves às mais amargas, passando por sabores ácidos e amadeirados. Para celebrar a democratização do paladar e mostrar como o mercado vem se movimentando, a 7ª edição do Piribier leva para o Cavalhódromo de Pirenópolis, de hoje até sábado, mais de 250 rótulos de cervejas feitas manualmente. Na lista, bebidas produzidas em Goiás e no Distrito Federal.
A ideia é reunir produtores, apreciadores dos rótulos artesanais e o público interessado em conhecer o universo das bebidas feitas à moda da casa. Além disso, o evento servirá de palco para o lançamento de cervejas Catharina Sour. Feitas com trigo e percentual de álcool sutilmente mais alto, as bebidas, de perfil ácido, trazem frutas em suas composições. “Antes dela o Brasil não tinha um estilo que definisse a cerveja feita aqui. Agora, a entidade mundial que regulamenta o setor, o BJPC, está considerando mudar esse cenário. Será uma conquista para quem busca o fortalecimento do segmento”, defende o organizador do Piribier, Ricardo Trick.
Ao longo da estrutura montada no Cavalhódromo o público também poderá conhecer de perto rótulos produzidos em Goiás, como Colombina, Cavalo Louco, Templária, Lola e Seresta, além de participar de harmonizações e entender as técnicas de combinação, por semelhança, contraste ou corte, entre cervejas e pratos doces ou salgados. “Na compra do ingresso o participante ganha uma caneca com quatro marcações distintas, de 100, 200, 300 e 400 ml. Nossa orientação é que ele opte sempre pela quantidade menor, assim poderá degustar inúmeros estilos e tipos de cerveja e descobrir quais as suas favoritas”, aconselha Trick. Os preços, referentes a 400 ml, variam, em média, entre R$ 10 e R$ 16.
Para destacar a relevância da degustação, o festival mantém o mesmo lema das edições anteriores e a regra é: beber uma quantidade menor de cerveja para conseguir apreciar um número maior de rótulos, cujo mérito é a qualidade. “Hoje já existe uma cultura cervejeira artesanal aqui no Estado. Depois de um trabalho intenso de formação de público, realizado pelas casas especializadas e por eventos específicos, como o Piribier, os consumidores vêm entendendo a importância da degustação. É comum, por exemplo, que a pessoa peça a cerveja de acordo com o estilo que mais gosta”, relata Trick.
Duas vezes
O festival Piri Bier ocorre duas vezes ao ano. No primeiro semestre, normalmente em maio, reúne amantes da cerveja na cidade histórica de Pirenópolis. Já na segunda metade do ano, geralmente em outubro, o encontro ocorre em Goiânia. “Estamos ajudando a construir a cultura cervejeira em um terreno fértil. Nos últimos três anos, por exemplo, o mercado nacional da bebida tradicional cresceu mais de 20% ao ano. Não existe nenhum segmento que, em meio à crise, se desenvolveu tanto.”
Durante o evento, a cidade histórica sedia também a 1ª edição do Congresso Técnico de Sommeliers de Cerveja, iniciativa da Associação Brasileira de Cerveja Artesanal (Abracerva) (leia mais ao lado). Na programação mais de 15 palestras que abordam desde a produção artesanal, em si, até análises sensoriais e mecanismos de implantação e divulgação das marcas. “Trazer informação e capacitação também é um dos objetivos do Piribier. A produção de cerveja artesanal no Brasil já representa cerca de 2% da produção nacional. O que queremos é que, no futuro, todas as cidades brasileiras de médio porte tenham sua própria cervejaria”, pontua Trick.
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