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Poder Judiciário mantém prisão de motorista que assassinou ex-mulher em Goiânia

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O motorista Aginaldo Viríssimo Cuelho, de 50 anos, continuará preso durante a investigação que o aponta como autor do disparo que matou Denise Ferreira da Silva, de 34 anos, grávida de quatro meses, na madrugada da última segunda-feira (4) em um condomínio do Bairro Orienteville, em Goiânia. Durante audiência de custódia, o juiz de direito, Dr. Jesseir Coelho de Alcântara entendeu que ele poderia intimidar testemunhas e atrapalhar o inquérito policial.

Preso em flagrante, Aginaldo passou pela audiência de custódia às 14 horas de ontem (5). A defesa alegou que o cliente não havia sido preso em flagrante e, por isso, a prisão era irregular. O juiz explicou que, desde que as polícias estejam em busca do autor, sem interrupção dos trabalhos, a prisão é considerada flagrante, mesmo tendo transcorrido alguns dias.

A defesa pediu, então, que o motorista pudesse ser beneficiado com liberdade provisória. O promotor que acompanhou o caso, Dr. Maurício Gonçalves de Camargos, manifestou contra e entendeu que sua liberdade poderia prejudicar a investigação. O juiz concordou com o argumento do promotor e indeferiu a soltura provisória de Aginaldo.

O motorista saiu do Fórum Criminal, no Jardim Goiás e voltou para a carceragem da Delegacia Estadual de Investigação de Homicídios (DEIH), localizada na Cidade Jardim. Na delegacia, Aginaldo deve ser ouvido outras vezes pelo delegado que coordena a apuração, Dr. Dannilo Proto. A Polícia Civil tem dez dias para concluir o inquérito.

A arma usada no crime ainda está sendo procurada. O local inicialmente indicado por Aginaldo como sendo o usado para descartar a arma foi verificado e nada foi encontrado. O delegado ainda deve ouvir outras pessoas, entre elas familiares da vítima e do próprio autor antes de remeter a investigação para que seja apreciado pelo Ministério Público, que apresenta a denúncia à Justiça.

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O Dr. Dannilo Proto entende, até o momento, que Aginaldo foi à casa de Denise com a intenção de matar a mulher, já que chegou com a arma municiada em punho. Como ele tinha facilidade de entrar no condomínio por ter morado no local até meados de março. O delegado acrescenta que o homem confessou ter arrombado a porta e depois ter discutido, agredido e disparado contra ela.

O entendimento do delegado é que o motorista praticou feminicídio com agravante de Denise estar grávida e o crime ter sido praticado na frente do filho da vítima, uma criança de seis anos de idade. Depois de ter disparado na cabeça da mulher, ele fugiu. Ele usou um aplicativo de transportes para chamar um motorista para levá-lo até Anápolis, onde moram alguns familiares dele.

 

Raiva

Quando apresentado à imprensa, na manhã de ontem (5), Aginaldo disse que se arrependia do crime. “Fiz besteira. Estou arrependido por tudo que eu fiz. Ninguém merecia isso, nem ela, nem eu. Minha vida acabou. A gente discutiu. (…) Ela no telefone e ela deu a entender que estava com alguém lá. (…) Eu fui até lá, pedi para ela abrir a porta e ela não quis. Aí fiquei muito irritado, arrombei, a gente discutiu e eu por impulso acabei atirando”, disse para os repórteres.

 

Corpo de Denise Silva será sepultado em São Paulo

O corpo de Denise Ferreira da Silva, de 34 anos, morta pelo ex-marido em Goiânia será sepultado na capital de São Paulo, onde a família dela mora. A tia da vítima, Idivonete Ferreira Martins está em Goiânia para providenciar as questões burocráticas e disse que a família, apesar da tristeza, está aliviada com a manutenção da prisão do motorista Aginaldo Viríssimo Cuelho.

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Idivonete é advogada e acompanha o trabalho investigativo e jurídico do caso. Nesta terça-feira (5) ela esteve no Fórum Criminal durante a audiência de custódia do suspeito e afirmou que deverá voltar em outras fases do processos, especialmente durante o julgamento. Sua intenção é participar como assistente de acusação. “Nossa família está muito abalada. Ela já era agredida, ameaçada e não sabíamos. Agora, queremos que a justiça seja feita”, disse. 

Ela detalhou que o casal se conheceu em São Paulo, onde Denise trabalhava em uma loja que presta serviços diversos para caminhões e ônibus. Aginaldo levou um dos ônibus da empresa em que trabalhava para manutenção e conheceu a mulher. Depois de dois anos de relacionamento, ele teria a convencido a se mudar para Goiânia para se casar com ele.

Denise veio com o filho, na época com quatro anos, e comprou uma casa no condomínio onde foi morta. Ela já havia registrado uma ocorrência contra o homem durante um trabalho da Polícia Militar nos bairros. Há relatos de amigos e vizinhos da mulher de que outras agressões também ocorreram, inclusive no dia do casamento.

Quando chegou à capital, Denise ainda descobriu que o homem tinha outra família. Depois de brigarem por esse motivo. Ele se separou e se casou com Denise. Foi ele quem pagou pelo tratamento que a permitisse engravidar. 

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