A Polícia Civil realizou na manhã desta quarta-feira (24) a segunda fase da Operação Otium, que apura um suposto esquema de venda de vagas para cirurgias na rede pública, em Goiás. Foram cumpridos cinco mandados de busca e apreensão relacionados a servidores públicos, que conforme a investigação, também atuavam no crime. Ninguém foi preso.
O caso começou a ser investigado no ano passado, após denúncia do Instituto de Desenvolvimento Tecnológico e Humano (Idetech), Organização Social (OS) que presta serviço para o Hospital Geral de Goiânia (HGG), local onde teria ocorrido a maioria das fraudes. Eram cobrados até R$ 2 mil para poder “furar a fila”.
Durante as buscas, foram apreendidos celulares, documentos, receituários e atestados médicos. Além disso, na casa de um dos alvos, foram encontrados ainda vários materiais hospitalares, como frascos de soro fisiológico e mantas térmicas para recém-nascidos.
A Secretaria Municipal de Saúde (SMS) informou que desde o início da atual gestão vem tomando providências para coibir fraudes no Sistema SUS e que todos os casos suspeitos encontrados são imediatamente denunciados junto aos Ministérios Públicos Estadual e Federal.
“A própria Secretaria Municipal de Saúde já abriu quatro processos de sindicância e um servidor já foi afastado. A SMS registrou inclusive boletim de ocorrência na Polícia Civil. Em relação à nova etapa da Operação da Polícia Civil, a SMS ainda não recebeu a denúncia sobre o funcionário do Crof. Assim que tiver acesso tomará as devidas providências. A SMS reafirma que apoia e contribui com a investigação da Polícia Civil”, declarou.
Já o Idetech informou que o próprio órgão foi quem denunciou o caso e que tem colaborado com as investigações. Pontuou ainda que “não coaduna com nenhuma participação ilícita dos seus colaboradores”, sendo que tais casos, se ocorrerem, resultarão em demissão imediata.
A investigação é realizada pela Delegacia Estadual de Repressão a Crimes Contra a Administração Pública (Dercap). A corporação já identificou cerca de 30 pessoas que participaram do esquema.
Deste total, ao menos sete são funcionários públicos e devem responder por corrupção passiva. Além disso, pessoas que pagaram para “furar a fila” dos procedimentos também devem ser investigadas por corrupção passiva.
Na primeira fase da operação, realizada em fevereiro último, o servidor público Eder Alves da Rocha, de 51 anos, da rede pública de Minaçu, no norte goiano, foi preso suspeito vender as vagas. A investigação apontou que ele agia há pelo menos 15 anos, cobrando até R$ 2 mil para evitar a fila.
O delegado Rhaniel Almeida, responsável pelo caso, afirmou à época, que, na maioria dos casos, o servidor público conseguia realmente adiantar o procedimento.
“Ele abordava as pessoas que procuravam consultas médicas em hospitais da capital e dizia que conseguia que elas furassem a fila para a consulta e cirurgia. Ele tinha contatos com funcionários de Cais de Goiânia, que conseguiam fazer essa alteração na fila”, disse o delegado.
Ele foi solto dez dias depois e, desde então, responde ao processo em liberdade. Uma mulher, que também denunciou o esquema, revelou que espera há dez anos por uma cirurgia.
G1













































