Pesquisar
Close this search box.
Órgão apura que vacina contra Covid-19 em Ceres pode ter beneficiado pessoas fora do grupo de risco

Vai cair: Ministério Público pedirá afastamento de secretária de saúde e coordenadora de imunização

publicidade

Por Renato Violi, jornalista e nutricionista em formação

Mais da metade das pessoas que receberam a vacina contra o coronavírus em Ceres não fazem parte do grupo prioritário para imunização, estabelecido pelo Ministério da Saúde. Essa é uma avaliação preliminar feita pelo Ministério Público da cidade, que percebeu por meio das redes sociais, que pessoas jovens haviam recebido a dose.

O caso veio à tona nesta quarta-feira e expôs uma possível negligência da Prefeitura de Ceres, que segundo o promotor Marcos Alberto Rios, teria confiado os imunizantes para aplicação nos locais sem supervisão da pasta responsável. Tal brecha foi o suficiente para que donos de hospitais e laboratórios incluíssem nomes de familiares, amigos e funcionários numa lista para vacina sem que essas pessoas sequer tivessem contato com pessoas infectadas.

Na cidade, que tem pouco mais de 22 mil habitantes, houve revolta da população. Muitos dos cidadãos, que aguardam desde o início do ano pela vacina, criticaram a gestão municipal e pediram providências para o caso. Trechos retirados da rede social Facebook mostram a indignação: “Resultado de pessoas que pelo dinheiro… Pela influência política ou pela profissão se acham melhores que os outros…” disse Vitória Christian. Já essa outra internauta foi além: “Bando de corruptos. Imagina só o que serão capazes de fazer em benefício próprio” disse Eredite Maria.

Leia Também:  Acompanhamento semanal: Prefeito visita obras locais, em Ceres

Segundo a própria secretaria de saúde, por meio do portal transparência do município, das 876 doses destinadas à vacinação contra a Covid-19, apenas 10 unidades foram aplicadas em idosos que são internos na Vila dos Vicentinos. Nem mesmo os próprios trabalhadores, que lidam diretamente com os idosos foram imunizados. “Estão revoltados, porque eles também tinham que ser vacinados. Os velhinhos são grupos de risco e eles estão diariamente em contato físico com os velhinhos. Eles mereciam ser vacinados e não foram”, pontua o promotor Marcos Alberto Rios.

 

Afastamento de servidores públicos

Duas pessoas estão na mira das investigações, são elas: a Secretária de Saúde de Ceres, Marjuery Seabra de Brito e também a coordenadora de imunização do município, Heloísa Lobo. O Ministério Público disse que vai pedir na próxima semana o afastamento das servidoras por pelo menos 120 dias até que se concluam as investigações. Ambas citadas pelo MP foram procuradas pela reportagem, mas estavam em reunião e não houve retorno até o fechamento desta edição.

Leia Também:  Bahia brilha na Fonte Nova, vence Atlético Nacional e assume a liderança do grupo F na Libertadores

Pelo crime à coletividade, todos os envolvidos serão denunciados e podem ser presos. A pena varia de 1 a 12 anos em regime fechado. A conversão da pena poderá ser feita mediante pagamento de multa no valor de R$50 mil, que deve ser apresentada como “proposta” pelo MP e que deverá ser revertida em benefício da campanha de vacinação.

Envie fotos, vídeos, denúncias e reclamações para a redação do JORNAL DO VALE, através do WhatsApp (62) 98504-9192

JORNAL DO VALE – Um jornal a serviço da nossa região, desde 1975 – www.jornaldovale.com

Siga nosso Instagram – @jornaldovale_ceres

Compartilhe essa Notícia

publicidade

publicidade

publicidade

publicidade