O ex-presidente da Agência Goiana de Transporte e Obras (Agetop) Jayme Rincón deixou a carceragem da Polícia Federal (PF), em Goiânia, na noite de ontem (5). Ele estava preso desde a sexta-feira da semana anterior (28), quando foi deflagrada, pelo Ministério Público Federal (MPF) e a PF, a operação Cash Delivery, que investiga o repasse irregular de aproximadamente R$ 12 milhões da empreiteira Odebrecht para as campanhas do ex-governador e ex-senador Marconi Perillo (PSDB) em 2010 e 2014.
Jayme Rincón foi solto por determinação do desembargador federal Cândido Ribeiro, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), que concedeu habeas corpus em pedido feito pela defesa. O desembargador entendeu que não havia fundamentação suficiente que justificasse a decretação da prisão preventiva nem para sua manutenção. Ele chamou a atenção para os fatos que deram suporte à decretação da prisão temporária, “o suposto envolvimento (de Rincón) no recebimento de recursos ilegais pelo então governador de Goiás, Marconi Perillo, para suas campanhas”.
“Portanto, as justificativas remontam a um momento passado há mais de quatro anos que não encontram eco nos requisitos descritos no art. 312 do CPP (Código de Processo Penal). Falta contemporaneidade entre os acontecimentos investigados e a medida extrema e excepcional decretada”, afirmou Cândido Ribeiro, acrescentando que “os elementos de prova até então coletados são suficientes à investigação da autoria, sem necessidade, por hora, de segregação cautelar do paciente”.
Interesse Eleitoral
O advogado Antônio Carlos de Almeida Ramos, o Kakay, que impetrou o habeas corpus para libertar Rincón, afirmou na noite de ontem, que a operação Cash Delivery, deflagrada nove dias antes do primeiro turno da eleição, teve interesse eleitoral. “Foi uma armação eleitoral, uma operação eleitoreira, e isso é muito grave”, declarou Kakay, que é advogado de Marconi Perillo e entrou na defesa de Rincón para buscar a libertação dele e de seu filho, o engenheiro Rodrigo Rincón, solto por decisão de outro desembargador do TRF-1, Olindo Menezes, na quinta-feira. O único que permanece preso é o policial militar Márcio Garcia de Moura, que, segundo o MPF, buscava o dinheiro em São Paulo e trazia para Goiás. Na casa dele, os policiais e procuradores encontraram R$ 940,2 mil. Na casa de Rincón, foram encontrados R$ 79 mil e moedas estrangeiras.
“Os fundamentos do MPF para fazer essa operação a poucos dias da eleição são pífios, tanto que os desembargadores do TRF reconheceram isso”, argumenta Kakay. “Não posso deixar de fazer esse alerta. Goiás merece e deve saber a quem serviu essa operação. Conseguimos libertar os presos, mas o caso não pode ficar apenas na liberação, é preciso ir além, porque é um absurdo o que aconteceu, num momento em que o Marconi (Perillo) liderava todas as pesquisas para o Senado”, insistiu Kakay, dizendo que vai apresentar o caso em todas as palestras que fizer. “Faz tempo que venho denunciando a espetacularização do processo penal e a criminalização da política”, disse.
Entrevista
Ao deixar a Polícia Federal (PF), no Setor Marista, ontem à noite, Jayme Rincón conversou rapidamente com os jornalistas que aguardavam sua soltura. Ele disse que estava ansioso para encontrar a família e que chamaria uma entrevista para falar sobre a operação e as denúncias contra ele e os demais envolvidos.
No primeiro interrogatório pela PF, Rincón admitiu repasse de caixa 2 em seu apartamento em São Paulo pela Odebrecht e sustentou que o dinheiro foi para “campanha de candidatos aliados”. Até a prisão, ele era o coordenador da campanha à reeleição do governador José Eliton (PSDB) em Goiânia. Rincón também era presidente da Agetop e estava licenciado, mas na quarta-feira (3) foi anunciada sua substituição pelo procurador do Estado Luiz César Kimura, que deixa a Procuradoria-Geral do Estado (PGE) para assumir a presidência da Agetop.













































