Após publicação de novo decreto cancelando a temporada do Rio Araguaia, prefeituras de municípios da região pediram ontem a liberação da pesca esportiva para ajudar a movimentar as economias locais e garantir renda para os ribeirinhos que trabalham com o turismo nesta época. Entretanto, o prefeito de Aruanã, Hermano de Carvalho (DEM), tem receio que um novo surto de Covid-19 aconteça na cidade em caso de receber muitos visitantes. O prefeito defende medidas mais restritivas e até solicita que os turistas evitem o município enquanto a Pandemia não for Controlada.
O presidente da Agência Estadual de Turismo (Goiás Turismo), Fabrício Amaral, se reuniu ontem com representantes dos municípios do Vale do Araguaia e quase todos pediram a liberação da pesca. Segundo ele, a atividade é apontada como a principal fonte de movimentação econômica nestas cidades durante a temporada do rio, que vai de maio à outubro. “Há um consenso entre os prefeitos de que não devemos ter acampamentos e shows, por exemplo, mas que a pesca esportiva não oferece risco de aglomerações. É um pleito legítimo”, avalia.
Fabrício Amaral deve se reunir, ainda esta semana, com o Ministério Público Estadual para discutir a possibilidade de liberação. Ele lembra que muitos hotéis, pousadas e empresas de turismo já têm vários pacotes de pesca vendidos para a temporada. “É possível exigir testes de Covid para os turistas e a fiscalização sobre a pesca é mais fácil”, afirma.
Mas, para o prefeito de Aruanã, este não é o momento para se pensar em pesca. Ele diz que é 100% a favor do decreto estadual por temer um novo surto da doença à partir de agosto, depois que os turistas forem embora, provocando mais mortes na cidade, assim como aconteceu após o carnaval. “Vamos seguir rigorosamente o que o decreto do governo do Estado determinar. Mas peço, encarecidamente, que o turista não venha”, disse o prefeito da cidade, que chega a receber 300 mil pessoas durante a temporada.
Segundo ele, a cidade não tem estrutura para um grande número de casos da doença e todos precisam entender que o momento não é propício. “O decreto poderia ser mais rigoroso sob o ponto de vista da Saúde. Minha preocupação com a economia é enorme e, quando tudo estiver normalizado, serei o primeiro a incentivar o turismo. Mas não desejo para nenhum prefeito o que passamos aqui após o último carnaval”, diz.
Já o secretário de Turismo, Meio Ambiente e Desenvolvimento Agropecuário de Nova Crixás e Bandeirantes, João Luiz Busnardo, lembra que os guias do município precisam da pesca esportiva para sustentar suas famílias ao longo do ano. “Sem a pesca esportiva, praticamente não teremos a atração de turistas e a ocupação de hotéis”, destaca. Ele informa que a cidade já está adotando barreiras sanitárias e reduziu a capacidade máxima de ocupação na rede hoteleira.
Marcelo Santana, presidente da Associação de Barqueiros de Aruanã (ABA), conta que eles já têm vários turistas agendados para esta temporada do Araguaia e o cancelamento vai gerar um enorme prejuízo. Segundo ele, entre guias e donos de pousadas, cerca de 400 pessoas trabalham com a pesca esportiva na cidade. “Fomos surpreendidos pelo decreto e alguns turistas que já estavam pescando até já foram embora. Mas nosso trabalho não gera nenhuma aglomeração porque são, no máximo, três pessoas da mesma família em cada barco e até ajuda a combater a pesca predatória”, alega.
Gerente de uma pousada em Aruanã, Anderson Rodrigues diz que a temporada seria a oportunidade de conseguir alguma renda para muita gente colocar a vida em ordem, depois de tanto tempo parados. Ele lembra que boa parte da população está ligada à cadeia da pesca esportiva e depende dela para se manter. “É muito fácil cancelar a temporada e não dar meios para sobrevivência das pessoas. Muita gente já está cancelando pacotes. Foi um verdadeiro banho de água fria”, avalia.
A secretária municipal de Turismo de Aragarças, Patrícia Rodrigues, lembra que a temporada na cidade tem mais foco na ocupação das praias do que na pesca. Por isso, o município solicitou um parecer do Ministério Público e do governo estadual sobre a possibilidade de abertura das praias, mediante a adoção de algumas medidas restritivas para garantir a segurança, como a limitação de público.
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