O Ministério Público do Estado de Goiás (MP-GO) já instaurou procedimentos para apurar suspeita de uso de vacina contra o coronavírus para imunizar pessoas fora do grupo prioritário em pelo menos cinco municípios goianos. As doses da primeira remessa encaminhada pelo Ministério da Saúde, as da vacina Coronavac, chegaram no dia 18 e, com algumas exceções, começaram a ser aplicadas nas cidades a partir do dia 20.
Além dos casos já divulgados em Santa Helena de Goiás, Mineiros e em Pires do Rio, há procedimentos abertos também em Nova Crixás e em Padre Bernardo. O MP-GO reforça que não há, no entanto, nenhuma denúncia formalizada, e que apenas com uma apuração será possível dizer se são casos de fura-fila ou descumprimento dos planos nacional ou estadual de imunização.
A situação está mais avançada em Pires do Rio, onde já foram colhidos depoimentos apontando que o então secretário municipal de Saúde, Assis Silva Filho, teria vacinado a esposa e a si próprio e determinado a imunização de uma terceira pessoa não identificada pelo MP-GO. Foram ouvidas seis testemunhas até agora, todas trabalhadores da saúde. Assis pediu exoneração do cargo após o caso se tornar público.
Em Santa Helena, o MP-GO quer que a prefeitura siga as orientações dos planos de imunização que foram pactuados na Comissão Intergestores Bipartite (CIB), instância que envolve as secretarias estadual e municipais de Saúde em Goiás. Por não seguir as orientações combinadas, o município quase ficou sem vacinar profissionais de saúde da linha de frente que atuam na rede estadual, o que só foi possível com a chegada de uma nova remessa de vacinas nesta semana.
Já em Mineiros, onde a prefeitura decidiu vacinar os idosos acima de 75 anos, fora do que foi pactuado pela CIB, e o primeiro vacinado neste grupo foi o ex-prefeito Agenor Rezende, o MP-GO cobra maior transparência na aplicação, nos critérios e na divulgação dos dados.
Na cidade de Padre Bernardo, o MP-GO informou apenas que foram encaminhados ofícios para a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) da cidade e para a delegacia de polícia. Em Nova Crixás, uma denúncia foi encaminhada para a promotoria da cidade, cujo titular retornou recentemente das férias, e também não há mais detalhes.
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