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Opinião

Entre lobos e anjos

Tudo se silencia, e me faço prisioneiro das minhas próprias ficções coletivas.

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Ninguém nasce livre. Todos estamos sujeitos a necessidade do corpo físico, às prisões psicológicas da cultura, aos ditames e regras do sistema social, que ao nascer já encontramos no mundo. Sendo assim qualquer pessoa nasce condenada à ignorância.

“Em seu estado de natureza, o homem é um lobo para o homem” um exemplo disso seria o que escreveu Nietzsche. “Amamos mais o desejo, do que o desejado” entre os lobos e os anjos, aqui estamos, condenados a ignorância.

Dessa caixa de pandora que me apresentaram, saem a minha fúria e a vaidade, ameaçam os espíritos, acentuam e despontam os conflitos, emergem a segregação e a divisão de classes, minhas classes, espalham-se a discórdia, a violência e todo o seu diabólico aparato ideológico. É aqui então, que conheço as proibições, a desconfiança e a ganância, o sexo e o poder, e os sistemas que garantem TUDO, por toda parte, o domínio. Tudo se silencia, e me faço prisioneiro das minhas próprias ficções coletivas.

O grande desafio atual da espécie humana é acelerar o amadurecimento das pessoas, de modo que aprendamos a viver em uma integração solidária. Para que esse objetivo seja atingido, teremos de superar – apesar da incredulidade de muitos – a mentalidade competitiva do mercado, a rivalidade territorial e política entre as nações e a discórdia gerada pelas paixões étnicas e religiosas, porque tudo isso se baseia no paradigma da escassez.

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Se não caminharmos nessa direção da maturidade da espécie, o que exigirá o aprimoramento da inteligência existencial ou espiritual das lideranças “se é que exista líder, ou a sua necessidade” é certo que caminhamos para a nossa extinção. Não é difícil estabelecer uma correlação entre as estatísticas de escurecimento humano versus florescimento individual por um lado e as das espécies por outro.

O filósofo Plotino (204-270), um dos mais importantes pensadores da Antiguidade, situa o ser humano entre os animais e os anjos. Segundo sua concepção, poderíamos escolher entre a lama e o céu. Nossos hábitos determinariam a altitude de nossa existência. O psiquiatra e terapeuta Viktor Frankl (1905 -1997), criador da Logoterapia, que tem auxiliado milhões de pessoas a ressignificar suas vidas, modernizou a concepção de Plotino, ao dizer “Sem dúvida, o homem acha-se envolvido por uma série de condicionantes. Esses condicionantes, contudo, são os pontos de arranque para a sua liberdade”.

A simplicidade é um sinal de transgressão, como o caos,um sinal de alcance do conhecimento, da liberdade. Ela não faz questão de ser alcançada ou amada, não se esforça para seduzir, apenas permanece, fora do tempo e do espaço sempre em silêncio.

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Escrito por Pedro Scalon (cantor e compositor goiano).

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