O jovem Luiz Augusto Gomes Rocha, 19 anos, filho do ex-prefeito de Itumbiara, foi solto no último domingo (22), após pagar fiança de R$10 mil. Ele é suspeito de dirigir embriagado, sem habilitação e provocar um acidente de transito que causou a morte de duas pessoas.
A defesa do jovem afirmou que está acompanhando o processo, tomando os procedimentos necessários e que não irá dar mais detalhes sobre o caso.
O suspeito é filho de José Gomes da Rocha, político que foi assassinado durante uma carreata em 2016. O rapaz foi detido na sexta-feira (18), após o acidente. Uma câmera de monitoramento registrou o instante em que um carro em alta velocidade bate na lateral de outro veículo, que é impelido alguns metros.
Com impacto duas pessoas vieram a óbito. O condutor do carro atingido, Cleiton Eduardo Batista, de 44 anos que morreu no local. E uma adolescente de 15 anos, que estava no veículo causador da batida, que chegou a ser socorrida, mas não resistiu. Outras três pessoas ficaram feridas.
O delegado responsável pela prisão em flagrante, Ricardo Chueire, indiciou o jovem por homicídio doloso, quando se assume o risco de morte.
“Não é habilitado, estava em velocidade excessiva e estava extremamente embriagado. Não fez o bafômetro, mas testemunhas indicam isso e, foi lavrado o termo de alcoolemia, que também mostra que ele estava com sinais de embriaguez. O médico no exame de corpo de delito, anotou isso também. O carro tinha muitas latas de cerveja”, sustentou.
“Foi o acidente de trânsito em via urbana mais grave que eu já vi em 17 anos. O fato foi tão grave que ele foi enquadrado no Código Penal e não no de Trânsito. Ele assumiu o risco de produzir esse resultado”, acrescentou o delegado.

Mãe de adolescente está inconformada
A mãe da adolescente Willyane Martins Linces, que morreu um dia após completar 15 anos, está indignada com a soltura do suspeito, após pagamento de fiança de R$ 10 mil.
“Eu acho injusto demais (…). É muito injusto esse rapaz estar solto na rua para fazer tudo de novo”, disse Laila Rúbia Alves Martins.
Segundo a mãe da adolescente, a prisão do suspeito não trará a filha dela de volta, mas representaria um senso de justiça. “Ele ficar preso é bom. Ela fazia parte do meu dia a dia”, comentou.

Além da Polícia Civil, que indiciou o jovem por homicídio doloso, o Ministério Público também entendeu que o suspeito deveria ficar preso. Em um documento enviado à Justiça o promotor Clayton Korb reforçou que o jovem não tinha habilitação, estava sob efeito de álcool e dirigia em alta velocidade.
No documento apresentado pelo MP, consta que o ponteiro do velocímetro do carro que o suspeito dirigia travou em 120 km/h, quando o máximo permitido na via é de 50 km/h.
Soltura
Luiz Augusto Gomes deixou o presídio no domingo e não é monitorado por tornozeleira eletrônica, mas precisará comparecer a todas as etapas do processo e não poderá se mudar sem autorização judicial.
O juiz Sílvio Jacinto Pereira argumentou em sua decisão que o jovem é réu primário, estudante e que a prisão antes do julgamento deve ser exceção.
“Não se discute quanto à ocorrência dos crimes imputados, contando-se ainda com fortíssimos indícios de autoria. Contudo, não se conta com evidências concretas e seguras de que a liberdade do indiciado trará risco à ordem pública, ao cumprimento da lei penal, à instrução criminal ou à ordem econômico-financeira”, disse no documento.
Além disso, o juiz disse que a liberdade de Luiz Augusto não coloca em risco as investigações. Por fim, alegou que há uma superlotação no presídio e, com a pandemia de Covid-19, é ainda mais indicado que ele responda ao processo em liberdade.
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