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plantão policial

Homem é encontrado morto após abordagem policial

A família de Henrique começou a investigar a morte após ter acesso a um vídeo que expôs como mentirosa a versão dada pela equipe do grupo Tático do 7º Batalhão da Polícia Militar (7º BPM).

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O cabo Guidion Ananias Galdino Bonfim, de 31 anos, esteve envolvido em outra operação policial em março deste ano que resultou em morte, desta vez um estudante de 21 anos condenado por tráfico de drogas após ter sido preso 8 meses antes pelo próprio Guidion.

A família de Henrique começou a investigar a morte após ter acesso a um vídeo que expôs como mentirosa a versão dada pela equipe do grupo Tático do 7º Batalhão da Polícia Militar (7º BPM). A polícia alegou ter matado ele em um suposto confronto numa estrada de terra no Setor Real Conquista, na noite do dia 11 de março.

 

http://www.youtube.com/watch?v=bIWxieHYRls

As imagens mostram o servente sendo abordado e conduzido para o interior da viatura dos mesmos policiais horas antes, no Jardim Europa, em Goiânia.

Na tarde do dia 2 de março, uma outra equipe do 7º BPM na qual, além de Guidion, estava o soldado Kilber Pedro Morais Martins, de 34 anos, também em prisão temporária pela morte de Henrique, entrou na casa de Kaio Gabriel Barbosa Araújo, no Jardim Presidente, em Goiânia, durante um patrulhamento na região à procura, segundo a versão oficial, de um traficante.

Após uma denúncia anônima de que havia um traficante magro com tatuagem no rosto usando uma casa no bairro como laboratório de entorpecentes, encontraram o estudante no portão, e este, ao perceber a aproximação da viatura e ouvir a ordem para ficar parado, fugiu para dentro do imóvel, fechando a entrada.

Guidion e Kilber pularam o muro alegando terem pensado que o suspeito poderia fugir pelos fundos do lote. Um terceiro policial entrou pelo portão, enquanto o quarto ficou próximo da viatura.

Segundo os policiais, Kaio teria saído do interior de um cômodo atirando contra eles. Os PMs reagiram, disparando sete tiros e três acertaram o tórax e o abdômen do estudante, perfurando o estômago, o fígado e o pulmão. Um quarto disparo passou de raspão pelo queixo. Kaio morreu no local. Nenhum policial foi ferido.

Prisão recente

Na tarde do dia 28 de julho de 2021, Guidion ainda era soldado da PM e fazia dupla com outro policial, quando encontraram Kaio em outra residência, no Parque Veiga Jardim, em Aparecida de Goiânia, a cerca de 8 quilômetros de onde fica a casa no Jardim Presidente. Em depoimento, os dois policiais contaram uma história parecida com a da abordagem em março.

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Desta vez, a denúncia teria apontado diretamente o local e apontado que nela havia uma movimentação típica de tráfico de drogas. Ao chegarem lá, encontraram um rapaz na porta, que disse estar no local só de passagem e permitiu a entrada deles no imóvel, onde estava Kaio. Com ele havia 24 porções de maconha, que, segundo os policiais, o estudante teria admitido ser para venda. Também foi apreendida no local uma balança de precisão.

Ao ser abordado nesta casa em Aparecida, Kaio já tinha as tatuagens no rosto, uma delas escrita “Maria Verônica”, que chamaram a atenção da equipe do Tático em março deste ano. Na delegacia, contou que guardava drogas para traficante depois que foi preso em maio de 2021 por tráfico e adquiriu dívidas enquanto esteve detido no Complexo Prisional de Aparecida de Goiânia.
Kaio ficou detido até dezembro, quando saiu sua condenação de 4 anos e meio por tráfico e passou a cumprir a sentença em regime semiaberto. Já o rapaz detido na casa assinou um Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO), pagou uma multa de R$ 250 e não ficou preso.

 

Prisão omitida em depoimento

O cabo Guidion não fez menção à prisão de Kaio Gabriel em julho de 2021 em seu depoimento após o incidente de março de 2022 que resultou na morte do estudante. Tanto no inquérito aberto pela Polícia Civil (PC), através da Delegacia de Investigação de Homicídios (DIH), como o da Polícia Militar (IPM) após a abordagem em março, não aparece nada relativo à prisão de julho nem a de maio do ano passado, quando foi preso na mesma casa do Jardim Presidente, mas por outros dois policiais.

Na ocorrência em março, uma outra viatura da PM chegou ao local logo após os disparos e foi orientada a fechar um cerco contra um suposto segundo indivíduo que teria sido visto por vizinhos escapando pelos fundos. Essa pessoa não foi localizada e nem identificada na investigação. Nenhum vizinho prestou depoimento.

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Em um relatório feito semanas depois, a PC apontou que na casa de um vizinho havia uma câmera apontada para a direção do imóvel onde estava Kaio, mas que, segundo o dono do imóvel, não gravava as imagens. Um primo do estudante que morava na casa também foi interrogado e disse que tinha ido viajar para o Maranhão naquele dia, mais cedo.

Uma coincidência em relação ao caso de Henrique Alves é que ambos, na versão dos policiais, estavam com revólveres calibre 32, mas enquanto o servente teria disparado três vezes, Kaio teria dado cinco tiros. Os policiais que estevam no Jardim Presidente disseram ter encontrado uma garrucha calibre 357 em um colchão e muita quantidade de drogas.

Foi realizado perícia no local pela Polícia Técnico Científica que identificou que os tiros não foram disparados a curta distância, mas não conseguiu confirmar se houve ou não troca de tiros, conforme alegado pelos PMs.

No dia 26 de julho, o delegado Ernane de Oliveira Cazer, adjunto da DIH, encaminhou relatório final para ao Poder Judiciário concluindo que a morte do estudante foi decorrente de uma ação de legítima defesa dos militares. Atualmente o processo está aguardando a manifestação do Ministério Público do Estado de Goiás (MP-GO).

No dia 18 de agosto, o IPM foi encaminhado para o Judiciário com as mesma conclusão, mas com manifestação do MP-GO de que não era um crime para ser julgado pela Justiça Militar. Nestes casos, o processo é juntado ao que se originou da DIH ou então arquivado.

Além de Guidion e Kilber, respondem pelo assassinato de Henrique o sargento Cleber Leandro Cardoso, de 37 anos, e o soldado Mayk da Silva Moura Souza, de 29.

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