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Inventor goiano cria talher especial para comer pequi

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Como a maioria dos goianos, o procurador da União aposentado João da Silva Garrote, de 80 anos, aprecia o pequi. Ao observar que muitas pessoas deixam de comer o fruto fora de casa por sujar as mãos, ele desenvolveu o talher especial, uma invenção fácil de ser manuseada, leve e que evita o desperdício.

“Não uso mais a mão, só o aparelho para pegar e comer o pequi. Você consegue roer melhor, e aproveita mais. Já faz sucesso em casa. Se arranjasse uma indústria interessada, faria uma parceria”, disse Garrote, que já fez o pedido de patente para cerca de 30 objetos que desenvolveu.

Natural de Itumbiara, região sul de Goiás, Garrote mora em Goiânia. No fundo da casa, ele tem uma oficina onde desenvolve suas invenções, que buscam solucionar problemas da vida doméstica, auxiliar na medicina e até mesmo na engenharia civil.

Em busca da perfeição, ele demorou três anos e desenvolveu quatro projetos até chegar ao protótipo que considera ideal. “Antes gastava sete elementos para montá-lo: duas laterais, mola, parafuso, duas arruelas e porca. Agora, só um”, relata.

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Garrote explica que já registrou a patente do talher de pequi no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (Inpi). Segundo o órgão, a invenção ainda está em processo de aprovação, pois o produto já saiu da fase de sigilo e aguarda exame técnico para ser liberado.

Garrote de considera um inventor nato e está sempre em busca de algo para ajudar a melhorar a rotina de alguém. “Invento o que vejo que está faltando. Como dizem, a necessidade é a mãe das invenções. Você inventa algo para suprir a necessidade”.

Na infância, ele se recorda que construía os próprios carrinhos de brinquedo. Aos 25 anos, em 1962, conclui a primeira invenção: uma tampa disparadora para vaso sanitário. “Ninguém dava descarga. Então desenvolvi um mecanismo que, quando a pessoa levanta do vaso, a descarga dispara”, relata.

Entre as dezenas de invenções do procurador aposentado, ele elege duas como suas preferidas: a agulha de sutura e o mexedor de tacho. A primeira delas facilita o manuseio no couro de animais e surgiu após conversar com um médico veterinário, que relatou dificuldade ao dar pontos em feridas.

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“Com essa agulha, o fio fica dentro dela, não cria nenhuma dobra, não fica grosso, proporciona maior eficiência e não provoca tanto sofrimento ao animal”, disse o inventor.

Já a ideia do mexedor de tacho surgiu depois que a mulher dele, a dona de casa Joana Darque Rezende Garrote, de 52 anos, sofreu um acidente doméstico. Ela elege esta como a melhor invenção do marido, pois basta ligá-la na tomada que mexe o doce sozinho até o fundo do tacho. “Eu adoro fazer doces. Uma vez, eu estava fazendo doce de goiaba, espirrou em mim e me queimei. Agora eu coloco no tacho e vou fazer outras coisas”, conta.

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