A Justiça de São Paulo reconheceu Suzane von Richthofen como inventariante (gestora) do espólio do tio, o médico Miguel Abdalla Netto, cujo patrimônio é estimado em cerca de R$ 5 milhões. A decisão, proferida pela 3ª Vara de Família e Sucessões da capital, autoriza Suzane a administrar os bens do tio, mas não a transforma automaticamente em herdeira nem lhe permite vender ou se apropriar dos ativos sem autorização judicial.
Miguel Abdalla Netto, de 76 anos, foi encontrado morto em sua residência no bairro do Campo Belo, na zona sul de São Paulo, em janeiro de 2026. Sem filhos, cônjuges ou irmãos vivos e sem testamento conhecido, o médico deixou um patrimônio composto por imóveis — incluindo casas e um sítio no litoral paulista — além de aplicações financeiras. Nesse cenário, a sucessão recai sobre os sobrinhos consanguíneos: Suzane e o irmão dela, Andreas von Richthofen.
A nomeação de Suzane como inventariante gerou polêmica, pois ela cumpre pena por ter assassinado os próprios pais em 2002 e já foi declarada indigna na herança dos pais em 2015, quando parte do patrimônio deles foi transferida apenas para Andreas. Especialistas em direito sucessório afirmam que, embora o histórico criminal gere desconforto social, não há impedimento legal automático para que ela atue como gestora ou, futuramente, como herdeira, desde que não exista testamento em sentido contrário.
A disputa sucessória envolve também a prima de Miguel, Carmem Silvia Magnani, que alega ter mantido união estável com o médico por cerca de 14 anos e busca reconhecimento judicial como companheira para entrar na partilha. A Justiça ainda deverá definir se Suzane terá direito a receber parte da herança, enquanto ela permanece obrigada a prestar contas de todos os atos como inventariante sob supervisão do juízo.
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