Após a soltura e o indiciamento do ex-governador Marconi Perillo (PSDB) ontem (11), na Operação Cash Delivery, o Ministério Público Federal (MPF) informou que segue análise do material apreendido e o cruzamento de dados e provas obtidos até agora como próximos passos da investigação.
Não há nenhum depoimento agendado e não existe prazo para o fim dos trabalhos. Quando a investigação for concluída, será formalizada a denúncia perante a Justiça Federal, segundo o MPF.
Marconi deixou a sede da Polícia Federal 26 horas depois do cumprimento do mandado de prisão preventiva. Todos os seis investigados da operação, que apura pagamentos de propina da Odebrecht ao ex-governador, foram soltos. Ainda não houve explicações sobre o dinheiro (cerca de R$ 940 mil) apreendido na casa do motorista do ex-presidente da Agência Goiana de Transportes e Obras Jayme Rincón (PSDB), o policial militar Márcio Garcia de Moura.
O MPF não manifestou sobre as solturas. Nos bastidores, os investigadores dizem não ter sido surpresa o habeas corpus concedido pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) a Marconi e a Márcio – o último dos presos em 28 de setembro a ser liberado, por ordem expedida na noite de anteontem. O desembargador Olindo Menezes já havia concedido habeas corpus ao empresário Carlos Alberto Pacheco Júnior e ao filho de Jayme Rincón, Rodrigo Godoi Rincón.
O MPF e a Polícia Federal (PF) investigam os crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e associação criminosa e apuram repasse de pelo menos R$ 13 milhões para campanhas eleitorais de 2010 e 2014 de Marconi. A PF resolveu indiciar o ex-governador pelos três crimes. A passagem de investigado para indiciado significa que a polícia considera que há indícios suficientes de autoria do crime. Mas a denúncia cabe ao MPF.
Ao conceder habeas corpus a Marconi, o desembargador Olindo disse que a prisão é desnecessária. “Há apenas uma fundamentação de ordem subjetiva fundada na suposição de que os investigados estejam reiterando a prática criminosa, em ordem a justificar a prisão cautelar para garantir a ordem pública. No caso, reputo a prisão desnecessária e em nenhum traço concreto de cautelaridade”, afirma a decisão.
“Não se está a dizer que os pacientes sejam inocentes, o que será visto a tempo e modo; e sim que não há, pelos fundamentos da decisão, a demonstração da necessidade da sua prisão cautelar”, afirmou o desembargador. Segundo ele, “o elo que a decisão faz entre o resultado das buscas e apreensões e os fatos de 2010 e 2014, ainda que tenham alguma lógica, não têm a consistência que implique, justifique ou explique a prisão preventiva”.
“Não se evidencia nos fatos a atualidade que justifique a segregação cautelar, a partir apenas da suposição de que eventuais valores apreendidos na posse do outros envolvidos e investigados representem novas doações ilegais de campanha, estando, em razão disso, ainda em atividade criminosa a serviço da suposta organização criminosa que teria promovido arrecadações para as campanhas de 2010 e de 2014 ao governo do Estado do paciente”, conclui Olindo.
A defesa de Marconi alegou no pedido de soltura que não há qualquer demonstração de ligação entre o dinheiro apreendido com Jayme e Márcio e Marconi.
Igreja
Marconi saiu da PF ontem por volta de 16h40, pela porta dos fundos e sem falar com a imprensa, cerca de 40 minutos depois da chegada da oficial de justiça que levava o habeas corpus. De lá ele foi à Catedral Metropolitana, “para agradecer a Deus e a todos que confiam na inocência dele”.














































