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Municípios goianos com gestão da água listam problemas e citam medidas para garantir o abastecimento

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Vinte cidades do interior de Goiás fazem a própria gestão do serviço de captação e de distribuição de água em seus territórios. Algumas delas passam por problemas sérios, como é o caso de Vicentinópolis. Na quinta-feira passada, Caldas Novas, um dos principais polos turísticos do Estado, decretou situação de emergência hídrica.

O decreto da cidade das águas termais, situado no Sul de Goiás, tem validade de 120 dias. O secretário de Meio Ambiente de Caldas Novas, Bento de Godoy, explica que a medida foi necessária porque o Rio Pirapitinga está operando com cerca de 35% da capacidade, com vazão insuficiente para atender toda o município (com exceção da rede hoteleira, que por lei tem a obrigação de tratar e reutilizar a água dos clubes).

A medida possibilita ações mais duras para restringir o uso da água à montante de captação. Também prioriza o recurso hídrico para abastecimento humano e dessedentação animal.

Entre as medidas emergenciais para garantir o abastecimento da população, a secretaria realizou vistorias ao longo do leito rio e constatou várias irregularidades. Entre elas, oito pivôs de irrigação sem as autorizações necessárias. Desses, dois estavam dentro do município de Caldas Novas, mas sem funcionamento. Os proprietários terão cinco dias a partir de ontem (26) para apresentar defesa.

Em caso de nova vistoria, caso os equipamentos ainda estejam nos locais, os proprietários poderão ser multados e os equipamentos removidos. Os outros seis equipamentos ilegais estão em áreas dos municípios de Piracanjuba, Cristianópolis e Santa Cruz de Goiás. Nesses casos, a Secretaria de Meio Ambiente de Caldas Novas informou à Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Hídricos, Cidades e Infraestrutura (Secima) para providências.

Também foram identificadas 104 barragens de diversos tamanhos em Caldas Novas. “Isso afeta de maneira significativa o abastecimento. Todas estão sendo vistoriadas e verificadas as autorizações. Em alguns casos, elas poderão ser acionadas para uso geral na cidade ou apenas descarga de fundo.”

Para resolver o problema no futuro, Bento de Godoy explica que está sendo feito um diagnóstico da bacia. “Com ele, vamos planejar toda a recuperação da bacia, com replantio de árvores nativas”, dia.

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O secretário ressalta que a área turística de Caldas Novas não é afetada pela falta de água. Os hotéis e complexos turísticos da cidade mantém captação de água dos poços de águas termais, diferente da captação municipal para distribuição, que ocorre no Pirapitinga. “No caso do aquífero termal não há alteração. Esses aquíferos são rigorosamente acompanhados por órgãos federais e estão dentro da normalidade.”

 

Vicentinópolis

Também na Região Sul de Goiás, Vicentinópolis foi o primeiro município a tomar medidas drásticas para garantir o abastecimento. Dias após decretar estado de emergência, o problema ainda não foi resolvido. O prefeito de Vicentinópolis, Neilton Ferreira de Ozeda diz que três caminhões foram contratados para trazer água de outros mananciais para a cidade. “Eles estão operando diuturnamente para evitar que a população não tenha água. Mas nossa situação é muito séria. Precisaremos de apoio do Governo Federal.”

O prefeito pretende ir nesta quarta-feira (27) à Brasília buscar ajuda. “Desde que decretamos situação de emergência, no começo do mês, não tivemos ajuda. Como não somos jurisdicionados à Saneago, precisamos buscar apoio na esfera federal. Sabemos que não será fácil, mas meu desafio nessa gestão é resolver o problema da água que assola Vicentinópolis nos meses mais secos.”

 

Medidas

Mas há municípios que conseguiram reorganizar o serviço e as falhas já não são mais tão frequentes. Senador Canedo (a 21 km de Goiânia) já chegou a decretar situação de calamidade pública em outubro de 2015 por conta dos baixos níveis dos reservatórios, mas esse ano conseguiu ficar mais distante da crise. O prefeito, Divino Lemes diz que esse ano houve falta apenas no último fim de semana por conta de uma queda de energia.

Lemes diz que a Agência de Saneamento de Senador Canedo (Sanesc) tem trabalhado desde janeiro para armazenamento de água. “Fizemos a revisão de poços artesianos que já existiam, reorganizamos a distribuição e desde janeiro temos armazenado água. Se as previsões de chuva se concretizarem até outubro, não teremos falha no abastecimento.”

O prefeito também destaca trabalho de conscientização junto à população e combate aos vazamentos. “Mas a vigilância tem sido 24 horas. Não podemos descuidar”.

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Em Catalão, em 2015, o Ministério Público chegou a firmar termo de ajustamento de conduta com o antigo prefeito para garantia do abastecimento de água na cidade. O atual superintendente de abastecimento, Fernando Ulhôa, diz que desde o começo desse ano foram feitos investimentos na construção de mais uma adutora e revisão de 13 poços artesianos que estavam desativados. Apesar disso, os bairros das regiões mais altas da cidade ainda sofrem com a falta nos finais de tarde. “Acreditamos que em 20 dias, quando a adutora ficar pronta, isso será resolvido.”

 

Saneago opera em 226 cidades

A Saneago opera em 226 dos 246 municípios goianos. A empresa é responsável por mais de 96% do atendimento com água tratada da população e mais de 55% de esgotamento sanitário. São mais de 2 milhões de unidades consumidoras de água e 1 milhão de esgoto. 

A companhia informou que prioriza o bom relacionamento com as prefeituras e busca sempre ampliar sua atuação no Estado, garantindo qualidade de vida à população. Recentemente, a Saneago assinou o contrato de concessão com o município de Guarinos e está em negociação com outras três cidades: Faina, Trombas e Santa Rita do Novo Destino.

O contrato de gestão da Saneago em Goiânia tem validade até 2023. Uma lei municipal aprovada na gestão de Paulo Garcia prevê uma discussão para criação de um plano municipal, que já está em andamento. Esse novo plano que está sendo discutido pretende levar à toda cidade.

 

Responsabilidade própria*

Cidades onde o serviço de captação e distribuição de água é municipalizado

– Abadiânia

– Cachoeira de Goiás

– Caldas Novas

– Catalão

– Chapadão do Céu

– Colinas do Sul

– Corumbá de Goiás

– Faina

– Matrinchã

– Mineiros

– Mossâmedes

– Nova Roma

– Panamá

– Paranaiguara

– Rio Quente

– Santa Rita do Novo Destino

– São Simão

– Senador Canedo

–  Trombas

– Vicentinópolis

*Fonte: Saneago

Da Redação com O Popular

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