O engenheiro civil que trabalhava na antiga Agência Goiana de Transportes e Obras Públicas (Agetop), Eduardo Martins Abrão é acusado pelo Ministério Público do Estado de Goiás (MP-GO) de ter recebido mais de R$ 9 milhões em transferências suspeitas entre 2013 e 2015. Maurício Borges Sampaio, que é acusado de homicídio do jornalista Valério Luiz, é citado pela investigação como um dos beneficiados pelo esquema. É o que descreve a decisão que autorizou a operação.
O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) investiga o servidor, familiares e empreiteiras por corrupção no órgão, que hoje é chamado de Agência Goiana de Infraestrutura e Transportes (Goinfra).
Nesta sexta-feira (30), o MP-GO cumpriu 21 mandados de busca e apreensão, por meio da Operação Old School, que apura crimes de corrupção ativa e passiva, falsidade ideológica, organização criminosa e lavagem de dinheiro, supostamente praticados pelos alvos da operação, em dez obras públicas executadas por diversas construtoras contratadas pela Agetop. O valor total das obras chega a R$ 400 milhões.
Os alvos dos mandados são 11 empresas do ramo da construção civil e 10 pessoas físicas. Entre elas, o servidor Eduardo Martins Abrão, que é o engenheiro civil apontado pelo MP-GO como o principal responsável pela arrecadação de vantagens indevidas por meio das construtoras. Segundo o levantamento, ele atuava como fiscal de obras e possuía um padrão de vida incompatível com os seus rendimentos.
Esquema
Conforme a investigação, os empresários envolvidos não só pagavam os servidores, como também ofereciam vantagens. Entre elas, a contratação de motorista particular para o fiscal de obra, por exemplo. O MP-GO chegou a identificar movimentações bancárias nas contas de Eduardo, que ultrapassam R$ 9 milhões.
Além disso, ele é suspeito de ter favorecido com seis contratos uma empresa administrada pelo sobrinho, Tiago Oliveira, com a participação de seu filho, Eduardo Martins Abrão Filho, no quadro societário. O último teria sido excluído da sociedade quando assumiu cargo temporário de fiscal de obras na Agetop e é acusado de ter recebido quase R$ 300 mil de empresas investigadas.
A operação também aponta que as movimentações nas contas de Eduardo, o pai, se intensificaram entre 2013 e 2015, época em que estavam em vigor contratos com a Loctec Engenharia e a Goiás Construtora. O MP-GO ainda aponta que boa parte das transferências bancárias eram feitas por Walter Araújo Melo, que teria ligação com as empresas, fiscalizadas por Eduardo na Agetop.
O servidor e sua esposa, Verônica Gomes Abrão, inclusive, estariam utilizando um carro que está registrado no nome de Walter. A companheira de Eduardo e o filho também são investigados. Ela por suspeita de ter sido a responsável pelo controle dos negócios. Verônica inclusive teria recebido grandes quantias de dinheiro da empresa RO Ambiental, vinculada ao seu sobrinho Tiago Oliveira.
O MP-GO acusa Tiago de ser sócio oculto da empresa. De acordo com os monitoramentos realizados pelo órgão, o sobrinho de Eduardo teria vínculos estreitos com Maurício Sampaio. “Pois utilizam os mesmos veículos, os quais estão registrados em nomes de empresas vinculadas aos filhos de Maurício, bem como face à existência de vultosas transferências das empresas vinculadas a Tiago Oliveira para os filhos de Maurício Sampaio, além de empresas vinculadas aos seus filhos”, diz o texto.
Os repasses teriam chegado a R$ 1.721.133,56. Não há, porém, nenhum vínculo formal de Maurício com as empresas citadas.
Para apurar melhor as denúncias, o juiz Alessandro Pereira Pacheco, da 2ª Vara Estadual dos Feitos Relativos a Delitos Praticados por Organização Criminosa e Lavagem ou Ocultação de Bens Direitos e Valores, autorizou os mandados em Goiânia, Senador Canedo e Aparecida de Goiânia ontem (30).
A Goinfra em nota que disse que se colocou à disposição e destacou que os fatos apurados são de gestões passadas.
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