A Polícia Civil (PC) desencadeou uma operação nesta quinta-feira (16), que apura o desvio de recursos públicos na área de saúde no ano de 2020. As equipes cumprem 23 mandados de busca e apreensão, sendo 21 em Goiânia e outros dois em Buritizal e Ituverava, no Estado de São Paulo. A Poder Judiciário autorizou o sequestro de aproximadamente R$ 6 milhões em bens para reparação de danos causados ao poder público.
As investigações da Delegacia Estadual de Combate à Corrupção (DECCOR) apontaram indícios de esquema criminoso instalado na Organização Social Instituto Brasileiro de Gestão Hospitalar (IBGH), que teria resultado no desvio de cerca de R$ 6 milhões destinados a compra de materiais e insumos hospitalares destinados principalmente ao combate da pandemia.
Para isso, direcionamento de contratos e empresas de fachada registradas em nomes de laranjas teriam sido usados para o fornecimento de materiais hospitais. Esses supostos laranjas, após o pagamento, retornavam parte do dinheiro para pessoas ligadas aos gestores da OS.
As investigações ainda revelaram, segundo a polícia, indícios de emissão de notas fiscais falsas pelas empresas de fachada para justificar o recebimento de recursos públicos. As irregularidades teriam ocorrido Hospital Municipal de Aparecida de Goiânia (HMAP), nos Hospitais Estaduais de Pirenópolis (HEELJ), Jaraguá (HEJA) e de Urgências da Região Sudoeste, em Santa Helena de Goiás (HURSO). Há suspeita de lavagem de dinheiro também em centros médicos do estado do Amapá.
A PC ressaltou que apenas os hospitais do estado não são mais administrados pela Organização Social investigada, porque contratos foram revogados. Os crimes apurados que levaram à operação são os de Organização Criminosa, Falsidade Ideológica, Peculato e Lavagem de Dinheiro.
Em nota, o IBGH informou que juntamente com a equipe da PC e da Perícia Técnica bloqueou o acesso de todos os colaboradores ao sistema SharePoint até o dia 20/09/2021 às 07:59. Neste período o acesso será exclusivo à equipe da Perícia Técnica para executar o mandado de busca e ação.
Segundo a nota, a partir das 8h do dia (20), o acesso ao sistema será apenas para leitura de documentos, não sendo possível incluir ou excluir quaisquer dados do banco, sob pena de responsabilidade do usuário que promover tal ação.
O comunicado informa ainda que “o IBGH reitera que sempre atuou de forma transparente e com a observância de todos os princípios legais em vigor em nosso ordenamento jurídico”.
A reportagem também entrou em contato com a Prefeitura de Aparecida de Goiânia e aguarda um posicionamento.
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