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Justiça

Reviravolta no caso de menino baleado na cabeça: Mãe, padrasto e fazendeiro são presos em Goiás

O padrasto teria declarado que estava em uma fazenda vizinha no momento do disparo, mas a apuração indicou que ele esteve no local em horário muito próximo ao ocorrido.
Reviravolta no caso de menino baleado na cabeça: Mãe, padrasto e fazendeiro são presos em Goiás. Foto: Divulgação//PCGO

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A Polícia Civil descartou a hipótese de que um menino de 10 anos tenha atirado contra a própria cabeça com uma espingarda de pressão. A mãe, o padrasto e o proprietário da fazenda onde o caso ocorreu foram presos temporariamente, em Palmeiras de Goiás, no oeste do estado.

Segundo a investigação, a criança foi atingida por três disparos. Dois projéteis acertaram a parte frontal da cabeça e o terceiro atingiu a lateral, atravessando o crânio e atingindo o cérebro. O menino permanece internado em estado gravíssimo na UTI do Hugol, em Goiânia.

Foto: Divulgação/PCGO

Investigação aponta contradições

Inicialmente, a mãe afirmou que o filho teria disparado sozinho contra a própria cabeça, utilizando uma arma de pressão enquanto estava no quarto.

No entanto, o delegado André Veloso informou que a perícia identificou incompatibilidades entre os ferimentos e essa versão. Conforme a polícia, a espingarda tem cano longo, exige recarga manual a cada disparo e demanda esforço físico considerado incompatível com a capacidade da criança.

Além disso, os investigadores apontaram contradições nos depoimentos. O padrasto teria declarado que estava em uma fazenda vizinha no momento do disparo, mas a apuração indicou que ele esteve no local em horário muito próximo ao ocorrido.

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A polícia também informou que testemunhas relataram que o menino sofria agressões com frequência e que vizinhos ouviram pedidos de socorro no dia do crime. Essas informações ainda serão apuradas no decorrer do inquérito.

Três pessoas foram presas

Foram presos temporariamente:

– Carolina Domingues Souza Cirino, mãe da criança;
– Tiago Lopes Cirino, padrasto do menino;
– José Rodrigues, proprietário da fazenda onde a família vivia.

Os mandados foram cumpridos na segunda-feira (21) e têm prazo inicial de 30 dias. A investigação apura tentativa de homicídio qualificado e possível fraude processual, além de buscar definir a participação individual de cada suspeito.

De acordo com a Polícia Civil, o fazendeiro também teria impedido que policiais militares conversassem com a mãe da criança quando a equipe esteve na residência. Para a investigação, essa atitude pode indicar envolvimento no crime ou tentativa de atrapalhar a apuração.

Ao O Popular, a defesa da mãe e do padrasto afirmou que a prisão temporária é uma medida cautelar e não representa condenação ou reconhecimento de culpa.

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O advogado Arlen Luís Batista Silva declarou que, até o momento, não haveria elementos no inquérito capazes de comprovar dolo ou autoria por parte dos investigados. A defesa informou que pretende adotar medidas judiciais para tentar restabelecer a liberdade dos dois e garantir o devido processo legal.

A defesa de José Rodrigues afirmou que ainda não teve acesso aos autos e que deverá se manifestar posteriormente.

A criança foi baleada na zona rural de Palmeiras de Goiás no dia 14 de setembro. Durante o transporte para o hospital, o carro da família capotou, e o padrasto sofreu ferimentos leves.

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