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Salário de dezembro fica para depois do de janeiro

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Sem o empenho do atual governo de um total de R$ 1,67 bilhão para pagamentos relacionados ao funcionalismo, o governador eleito em Goiás, Ronaldo Caiado (DEM), disse ontem (26) que não há previsão para a quitação da folha de dezembro e que a de janeiro passará à frente como prioridade.

Empenho é o primeiro estágio da despesa pública, que cria a obrigação de pagamento e aponta garantia de que existe o crédito para a liquidação do compromisso. Conforme informações da equipe de Caiado, o governador José Eliton (PSDB) não autorizou empenhos para a folha de dezembro no valor de R$ 1,37 bilhão nem do restante da folha de novembro, referente a parcela de consignados, impostos e Ipasgo, que seria de cerca de R$ 300 milhões.

Procurada a assessoria do governo, o secretário da Fazenda, Manoel Xavier, e o próprio governador, mas ninguém foi encontrado para confirmar se não haverá de fato os empenhos e quais as justificativas do Estado.

Em entrevista coletiva para anunciar mais quatro nomes do secretariado, Caiado afirmou que buscará “alternativas” para quitar o mês de dezembro, mas não deu pistas sobre possíveis soluções.

“A folha de pagamento de dezembro sequer foi empenhada. Não tem como você pagar algo que não está empenhado. A previsão de pagamento só poderia existir se tivesse deixado dinheiro. Eu primeiro vou ter de pagar a folha de janeiro, e restabelecer toda a parte jurídica, de empenho, legal, para que essa folha (de dezembro) possa ser paga”, afirmou o governador eleito.

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Decreto

Caiado lembrou o decreto de outubro de José Eliton que mudou regras de execução orçamentária do Estado, desobrigando que as despesas com a folha de pessoal fossem empenhadas e liquidadas no mesmo mês, o que foi interpretado como brecha para atrasos no pagamento dos servidores. À época, o democrata acusou o tucano de se preparar para dar “calote” aos servidores. Eliton negou.

“Além de ter a dificuldade de não ter o financeiro, nós temos também a dificuldade daquilo que a legislação determina. Como se vai pagar algo que não está empenhado? Então quitaremos – a minha preocupação é essa – o nosso mês de janeiro e vou pedir alternativas para que a gente possa fazer qualquer tipo de renegociação. Porque na verdade a minha dívida não é apenas da folha. Vou herdar R$ 3,4 bilhões (de dívidas)”, afirmou Caiado.

Os pagamentos do funcionalismo de outubro e novembro foram feitos em cronograma que ultrapassou o prazo legal, de até o 10o dia do mês subsequente. A folha de novembro terminou de ser repassada antes do Natal, mas a parcela de consignados e encargos sociais ainda não foi empenhada.

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Informações nos bastidores da Secretaria da Fazenda eram de que não havia autorização para os empenhos.

 

Atraso anterior

Em janeiro de 2011, quando tomou posse para o terceiro mandato, o ex-governador Marconi Perillo (PSDB) herdou parte da folha em atraso, deixada pelo antecessor Alcides Rodrigues (hoje deputado federal eleito pelo PRP). O valor era de R$ 340 milhões.

À época Marconi também anunciou que a prioridade seria o pagamento da folha de janeiro, “sob sua responsabilidade”, mas diante de grande pressão do funcionalismo, acabou quitando a parcela de dezembro ainda no dia 18 de janeiro daquele ano. A solução encontrada foi garantir empréstimos dos tribunais de Justiça (TJ) e de Contas do Estado (TCE) e antecipação de receitas.

A folha de janeiro acabou sendo parcelada, com 80% pagos no final do mês de janeiro e o restante após a segunda quinzena de fevereiro.

Com OP

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