O Ministério Público Federal (MPF) ofereceu denúncia contra o governador Marconi Perillo (PSDB) por corrupção passiva e crime contra a administração pública. A peça assinada pelo vice-procurador-geral da República, José Bonifácio Borges de Andrada, aponta que o tucano teria se beneficiado de recursos provenientes da Delta Construções através de empresas fantasmas em troca da ampliação do valor de contratos da empresa com o governo entre 2011 e 2012.
A denúncia encaminhada ao ministro Humberto Martins, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), é baseada nos autos da Operação Monte Carlo, deflagrada pelo MPF em 2012 para desarticular suposto esquema de jogos ilegais comandado por Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira. Cachoeira também é denunciado por José Bonifácio, por corrupção ativa, assim como Fernando Cavendish e Cláudio Abreu, que eram diretor executivo e presidente do Conselho de Administração da Delta e diretor regional da empresa no Centro Oeste, respectivamente.
Conforme o MPF, os valores dos contratos da Delta com o governo pularam de R$ 5 milhões para cerca de R$ 75 milhões após a posse do governador, em janeiro de 2011. Em troca, Marconi teria se beneficiado com o pagamento de R$ 90 mil referentes a dívida de campanha com o jornalista Luís Carlos Bordoni. O dinheiro, proveniente da Delta, teria sido pago por meio de empresas fantasmas e em duas parcelas iguais de R$ 45 mil.
De acordo com o vice-procurador-geral, Marconi tinha “papel central” no esquema criminoso que tinha como objetivo ampliar as participações da Delta no Estado.
A denúncia aponta que, nos meses de abril e maio de 2011, um assessor do tucano entrou em contato com Bordoni por duas vezes para perguntar em qual conta deveria ser feito depósito referente a uma dívida vinculada à campanha de Marconi em 2010.
Após estes contatos, relata o documento, depósitos foram feitos pelas empresas fantasmas Alberto & Pantoja e Adécio & Rafael, que teriam sido constituídas por Cavendish, Cláudio Abreu e Cachoeira apenas para o pagamento de propina a agentes públicos a partir de dinheiro da Delta.
O MPF argumenta que, depois desses pagamentos, Marconi teria determinado aditivo no contrato da Delta com a Secretaria de Segurança Pública para a locação de carros.
O número de veículos foi ampliado e a denúncia aponta que o governador “tinha ciência de que o valor despendido com o contrato de locação, nos moldes como posto, era desvantajoso para a administração pública”.
O procurador diz que caso o Estado tivesse comprado as 1.981 viaturas alugadas após os aditivos, gastaria R$ 39,2 milhões. Foram pagos à Delta R$ 75,3 milhões.















































