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Cana pode prejudicar meio ambiente e produção de alimentos

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Ao contrário do que afirmou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em artigo publicado no jornal norte-americano The Washington Post, em momento pretérito, a expansão da cana-de-açúcar no Brasil para produção de etanol pode avançar sim sobre áreas onde atualmente se cultivam gêneros alimentícios, além de colocar em risco a integridade de importantes biomas, como a Amazônia e o Pantanal. 

O alerta é de Antônio Thomaz Júnior, professor do Departamento de Geografia da Universidade Estadual de São Paulo (Unesp), que há anos estuda a estrutura e o desenvolvimento do segmento sucroalcooleiro no país. “Ninguém tem condições técnicas para dizer que não haverá impacto. Até agora, não foi feito nenhum estudo aprofundado sobre as conseqüências dessa expansão das lavouras de cana”, argumenta.

Em seu artigo no The Washington Post, Lula declarou que a cana-de-açúcar não ameaça a produção de alimentos. “Menos de um quinto dos 340 milhões de hectares de terra arável no Brasil é usada para tais culturas. E somente 1%, ou seja, 3 milhões de hectares, é usado para colher cana-de-açúcar para etanol”, argumentou Lula. “Em contraposição, 200 milhões de hectares são pastagens nas quais a produção de cana está começando a se expandir. O verdadeiro desafio em prover garantia alimentar está em vencer a pobreza daqueles que constantemente estão famintos”. 

O reforço nas vendas puxou a produção e o combustível ganhou espaço na escolha de processamento nas usinas em detrimento do açúcar. Com 28 bilhões de litros produzidos na safra 2014-2015, o álcool atingiu o maior consumo da história, com preço de 10 a 15 centavos de real por litro acima do registrado no ano passado, segundo estimativa da consultoria Datagro.

Impactos Ambientais

Além de afirmar que a cana-de-açúcar não afetará a produção de alimentos, Lula classificou como “mito” o argumento de que o etanol é uma ameaça direta às florestas tropicais, já que o solo amazônico não seria adequado ao plantio dessa cultura. Thomaz Júnior, entretanto, discorda dessa premissa. Ele acredita que, em primeiro lugar, a cana realmente tomará lugar de pastagens. Mas tal situação, segundo ele, pode pressionar a abertura de mata nativa amazônica para criação de bois. 

Para o professor, o solo da floresta equatorial ainda não se mostra apropriado ao plantio das variedades de cana existentes. Mas ele lembra que existem bolsões dentro da chamada Amazônia Legal onde as condições naturais e climáticas se assemelham às do cerrado – principalmente no Acre, Rondônia, Amapá, Maranhão e Mato Grosso.

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Em Nova Olímpia no Mato Grosso, por exemplo, situa-se uma das três maiores usinas do país, a Itamaraty, que na safra deste ano deve colher cerca de sete milhões de toneladas. Na opinião do professor, é a partir dessas localidades que a cana pode ganhar terreno e, posteriormente, ameaçar a região amazônica propriamente dita – movimento semelhante ao que se verifica hoje em dia com a soja. O investimento em pesquisa para gerar variedades de plantas adaptadas a novos ambientes também pode impulsionar esse fenômeno. “Quem diria, 15 anos atrás, que a soja iria se alastrar pelo Sul do Maranhão?”, analisa.

Mas as preocupações ambientais não se resumem ao ambiente amazônico. O Pantanal é outro bioma bastante ameaçado pelo crescimento das lavouras de cana. Para se ter uma ideia do interesse que as terras do Mato Grosso do Sul despertam, as unidades produtoras de álcool, devendo dobrar.

Região Norte de Goiás

Em Goianésia o Grupo Jalles Machado possui duas usinas a Codora e a Jalles. Ainda em Goianésia a Usina Goianésia S/A. O Grupo Japungu, possui três usinas, dentre elas a CRV Industrial em Carmo do Rio Verde, Rubiataba e Uruaçu. O Grupo Farias na região do Vale do São Patrício, possui as unidade de Itapaci e Itapuranga.

Impacto Social

As usinas para a produção de álcool e açúcar, como as existentes em nossa região provocam um enorme impacto social e ambiental na região, causando problemas de infra-estrutura urbana e rural, em razão da migração de centenas de trabalhadores para o corte de cana. As redes de saúde, moradia, abastecimento de água, energia não dão conta de atender às novas demandas. Por exemplo, no Nordeste, a maioria dos trabalhadores moravam nos engenhos, em povoados formados próximos aos locais do corte da cana, enquanto em nossa região, há trabalhadores vão morar em “masmorras” (alojamentos improvisados, insalubres), construídos no interior das fazendas, ou alugam casas e pensões nas cidades próximas.

Desta forma, as cidades não podem adaptar-se de forma rápida a esta nova demanda, até porque o sistema funciona por safras. Se por um lado, há um giro de capital aumentando as vendas do comércio, por outro lado, há uma queda na qualidade de vida do conjunto da população, aumentando a incidência de problemas como prostituição, alcoolismo e drogas. E não fica só por isso, há sério impacto social, como por exemplo, mulheres que envolvem com trabalhadores, engravidam e o pai sequer registra o filho, em decorrência de várias motivações.

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A lógica neoliberal

A Petrobrás desenvolve e detém tecnologia própria, mas a lógica do governo federal é continuar adaptando a Petrobrás ao modelo neoliberal e reforçar o poder do agronegócio nacional e internacional. A Petrobrás também joga um papel de exploração nos países vizinhos, vemos isso no exemplo da Bolívia. Temos que defender uma integração e plano de energia para todo o continente, baseado na solidariedade e colaboração, e não no mercado e exploração. 

No Brasil, 81% vivem nas cidades e só 19% no campo. Mas a produção agrícola é responsável por 30% do PIB e o papel do Brasil na produção de combustível extraído das matérias primas produzidas no campo pode aumentar. Mas isso só será feito de uma maneira sustentável para o meio ambiente e para os trabalhadores do campo, se conseguirmos romper com o poder dos latifundiários e do agronegócio. Por isso é só em aliança com o movimento dos trabalhadores na cidade que vamos ter uma verdadeira luta pela reforma agrária, como parte de uma luta por uma alternativa socialista ao caos, exploração e opressão do capitalismo.

Captação de água nos rios

Apesar de várias usinas possuírem as chamadas outorgas, que nada mais é que autorizações para realização de captação de água nos rios, surge a indagação? Será que é saudável as captações? Para onde vai essa água? Parte dessa água volta para os rios?

Exemplo de captação é o bombeamento de água para um canal de transposição no Rio das Almas, que percorre uma área de aproximadamente quinze quilômetros de dutos para irrigar cerca de cem alqueires de cana.

Alguns moradores da região que conhecem bem os Rios das Almas, Uru e Verde, admitem que a falta de água nestas cidades possa ocorrer em poucos anos se a situação persistir. Disse ainda que os usineiros são responsáveis pela diminuição da água desses rios, além da consequente degradação do meio ambiente, através do desmatamento das matas ciliares e escoriações às margens dos rios que abastecem vários municípios, além de extinguir nascentes que um dia existiram nessas regiões.

Gravíssimo o que vem acontecendo com os nossos rios e com a ausência de uma fiscalização mais rígida para coibir a ação dos usineiros, a situação só tende a ficar a cada dia, mais crítica.

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