O inquérito que apurava as circunstâncias da morte do criminoso Lázaro Barbosa, ocorrida em junho de 2021 em Águas Lindas de Goiás, foi arquivado pela Justiça de Goiás sem ter sido concluído. O procedimento, que investigava as ações dos policiais militares envolvidos no confronto, foi encerrado de forma parcial devido à ausência de diligências essenciais e à falta de laudos técnicos considerados indispensáveis para formar convicção sobre o caso.
Na ocasião, Lázaro Barbosa era o principal suspeito de uma série de homicídios e estupros na região Centro‑Oeste, incluindo a chacina da família de Ceilândia (DF), que gerou tensão generalizada e grande repercussão nacional. Após mais de uma semana de busca, o criminoso foi localizado em uma fazenda em Águas Lindas, onde houve troca de tiros com policiais das Forças de Segurança. Ele morreu no local, e o inquérito foi aberto para apurar se o uso da força pelos policiais ocorreu dentro dos limites legais.
Ao longo do processo, o Ministério Público de Goiás identificou várias falhas na investigação policial. Entre elas, a ausência do laudo cadavérico definitivo, o não cumprimento de diligências periciais completas no local do confronto, a falta de registro fotográfico adequado e a ausência de depoimentos presenciais dos próprios policiais militares envolvidos. Sem essas provas, o órgão entendeu que não havia base suficiente para oferecer denúncia ou mesmo para concluir de forma plena a apuração.
Diante desse quadro, o Juízo responsável determinou o arquivamento do inquérito, mantendo, porém, aberta a possibilidade de reabertura ou de novas investigações se novos elementos forem apresentados. O arquivamento não extingue outros procedimentos relacionados ao caso de Lázaro Barbosa, como apurações sobre crimes anteriores, possível envolvimento de terceiros ou eventuais falhas na coordenação das forças de segurança. Em paralelo, familiares de vítimas e entidades de defesa de direitos humanos têm questionado a transparência e a profundidade das apurações, reforçando o debate sobre a atuação policial em operações de alto risco.
O caso continua a ser lembrado como um dos mais emblemáticos de violência e busca policial na história recente de Goiás e do Distrito Federal, serve de pano de fundo para discussões sobre segurança pública, cadastro de criminosos violentos e o uso proporcional da força nas ações das polícias.
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