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MP mira agora funcionários de João de Deus

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Mulheres violentadas em uma sala de atendimento coletivo enquanto os pacientes da fila de espera eram obrigados a ficar rezando de cabeça baixa. De olhos abertos, apenas funcionários e voluntários. Sentado em uma espécie de trono, o médium João Teixeira de Faria, o João de Deus, conversava com as mulheres e colocava a mão delas em seus órgãos genitais. Esta é a descrição de pelo menos 15 mulheres que teriam sido vítimas de violência sexual na Casa Dom Inácio de Loyola em Abadiânia.

Esta foi a décima denúncia protocolada pelo Ministério Público do Estado de Goiás (MP-GO) contra João de Deus e envolve 10 vítimas do Distrito Federal (DF), São Paulo (SP) e Paraná (PR) que teriam sido violentadas entre 2015 e outubro de 2018, pouco antes de os casos virem à tona pela imprensa. Outras cinco mulheres que relataram os mesmos crimes estão na denúncia como testemunhas porque os crimes já prescreveram ou estão sob decadência. Os abusos se enquadram em violação sexual mediante fraude e esta é a oitava ação penal contra João protocolada no Fórum de Abadiânia por crimes sexuais. Outras duas denúncias por porte ilegal de armas foram oferecidas e também está em curso uma ação civil pública para ressarcimento de danos morais.

Conforme os promotores de justiça Ariane Patrícia Gonçalves e Augusto Souza, que integram a força-tarefa do MP-GO, as investigações agora continuam para analisar participação de funcionários, voluntários e empresários – donos de pousadas – que integrariam uma rede de apoio aos crimes. Em algumas denúncias, as mulheres afirmaram que procuraram funcionários após os abusos, mas foram desencorajadas a denunciar e ouviram que se tratava de procedimento comum.

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“Queremos saber agora de que forma eles contribuíram e se contribuíram diretamente para esses abusos. Se havia parcela de culpa nestes crimes sexuais que estão sendo imputados ao João Teixeira de Faria. Os funcionários já foram identificados pelas vítimas e eles não estão sendo denunciados ainda, mas existe um encaminhamento neste sentido. A análise é de um esquema montado para viabilizar a prática reiterada e habitual de crimes contra atividade sexual em ambiente de atendimento religioso espiritual”, diz o promotor Augusto Souza.

A promotora Ariane Patrícia diz que é importante ressaltar que estes crimes não aconteceram em uma rua deserta, ou em algum local que a vítima pudesse correr, por exemplo. “As vítimas estavam dentro de um centro espiritualista, onde acreditavam que haviam curas. Foi praticada por uma pessoa que se dizia médium, que afirmava intermediar curas. Então, as mulheres que iam até lá, elas não fugiam, elas iam até ele com fé, com esperança. Ele se aproveitava desse falso atendimento, pegava as mãos da vítima e colocava sobre o pênis dele. Isso tudo em uma sala coletiva cheia de pessoas”, completa.

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Para Ariane, o fato de ninguém reagir confundia as vítimas. “Uma das vítimas procurou os funcionários e reclamou do que tinha acontecido. Esse funcionário disse que isso era comum, normal e não havia nada de sexual, que era uma ação assexuada, que era a entidade. Ele dissuadiu essa pessoa completamente de denunciar o crime.”

A defesa de João foi procurada ontem para se pronunciar sobre a nova denúncia, mas não respondeu até o fechamento desta matéria.

 

Habeas Corpus

O Tribunal de Justiça do Estado de Goiás (TJ-GO) foi comunicada ontem pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) sobre a transferência do médium para o Núcleo de Custódia do Complexo Prisional de Aparecida de Goiânia. João de Deus está internado desde o dia 22 de março no Instituto Neurológico de Goiânia. A Justiça estadual não informou, até o fechamento desta edição, quando ocorreria o retorno dele para a prisão.

Na terça-feira, dia 4, o STJ negou dois pedidos de habeas corpus de João de Deus e decidiram ainda cassar a liminar que permitia a internação dele no Hospital Neurológico.

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