A Polícia Civil da cidade de Goiás iniciou nesta segunda-feira (3) a investigação sobre o ato pró-tortura realizado no município no último domingo (2). No primeiro dia de diligência, os investigadores escutaram os responsáveis pelos registros fotográficos que ganharam repercussão nacional nas redes sociais. A delegada Amanda Alvarenga, responsável pela apuração, diz que ainda não há indicativos de quem seriam os dois homens encapuzados que carregaram a faixa com os dizeres “Deus perdoe os torturadores” pela cidade.
Duas das pessoas que fotografaram o ato, contam o que viram e ouviram ao se depararem com a cena. Ambos foram ouvidos pela Polícia Civil como testemunhas do caso. Moradora da cidade de Goiás, Cláudia diz que dirigia próximo à Igreja Nossa Senhora do Rosário quando viu os dois homens com vestimenta parecida com as utilizadas na Procissão do Fogaréu, tradição religiosa e cultural do município.
“Quando eu cheguei na posição de avistar eles de frente eu vi o que estava escrito”, conta Cláudia. A moradora conta que desceu do carro e perguntou se poderia tirar a foto. Com os homens não havia outras pessoas e ambos permaneciam em silêncio, comunicando apenas entre eles. “Um orientava o outro sobre a posição do cartaz”, relata.
“Levei uns minutos tentando compreender”, relembra Bruno, outro que registrou a cena e foi ouvido pela polícia. Nascido na cidade, o publicitário estava apenas de visita. Ao passar de carro pelos homens viu os homens no ato que o deixou estupefado. “Comigo eu levei uma sensação de perplexidade, junto com uma vontade de compreender a incoerência toda”, pontua.
Grupo bolsonarista nega participação
No mesmo dia em que os homens foram fotografados com a faixa, um grupo se manifestou em outro ponto da cidade a favor do presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Em uma rede social, uma das organizadoras, identificada como Helena Damasio, negou que os homens tivessem ligação com o movimento. “O ônus da prova é de quem alega, então eles que provem, porque o pessoal da carreata não tem nada haver com isso”, afirma.
O grupo de apoio ao governo chegou a dizer que a foto teria sido feita em outro dia. Junto com a faixa com os dizeres pró-tortura, no entanto, havia um cartaz que teria sido utilizado na manifestação governista, esse com a frase: “Nosso Brasil pertence ao Senhor Jesus, com Bolsonaro”. O cartaz teria sido pego pelos homens em momento não identificado pelos manifestantes.
Segundo a delegada Amanda Alvarenga, agentes da Polícia Civil estão fazendo levantamentos nas ruas da cidade. A Polícia Civil ainda não diz se há suspeitas sobre a identidade dos homens. O Ministério Público do Estado de Goiás (MP-GO) informou que recebeu a denúncia, que está em fase de distribuição.
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