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Vítima de médico na capital se sente aliviada por condenação

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Uma das pacientes que denunciou o médico Joaquim de Souza Lima Neto disse que se sente aliviada após a condenação do ginecologista. Ela foi umas das primeiras pessoas que procuraram a Delegacia da Mulher (Deam) para apresentar queixa contra o comportamento do médico dentro do consultório. “Eu cheguei a pensar que isso não iria adiante, que ele jamais pudesse ser, sequer, julgado. Mas, agora, sinto que a justiça foi feita. Espero que isso sirva como incentivo para todas as mulheres que já foram abusadas procurem a delegacia”, desabafa a mulher que pediu para não ter o nome divulgado.

O médico foi condenado a 10 anos, nove meses e 18 dias de prisão em regime fechado. A defesa dele foi procurada, mas preferiu não comentar o assunto por enquanto. O advogado Caio Victor Lopes Tito informou que até a noite desta quinta-feira (20) não havia sido notificado da decisão e que, por isso, não poderia falar sobre o assunto. “Estive essa tarde com o doutor Joaquim e ele também não havia sido notificado. Por isso, não temos condição de nos manifestar sobre o assunto”, ressaltou.

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Joaquim de Souza Lima Neto está preso desde o começo do ano no Núcleo de Custódia, no Complexo Prisional de Aparecida de Goiânia. Mais de 30 mulheres se apresentaram na Deam para relatar abusos, mas nem todos os casos puderam ser denunciados, já que o prazo para de alguns deles já havia sido encerrado. Delegada da Mulher, Ana Elisa Gomes Martins entende que o julgamento foi ágil. “Percebemos que houve preocupação do Poder Judiciário, talvez pela gravidade dos crimes ou mesmo pela quantidade de vítimas. O fato é que ficamos satisfeitos com isso”, diz.

A paciente que disse estar aliviada com a condenação do médico se lembra que outras mulheres, também pacientes do ginecologista, a criticaram. “No depoimento, depois na audiência, algumas pacientes do médico diziam que eu estava louca, que eu não sabia o que estava fazendo e que iria acabar com a vida de um médico excelente. Eu não sei o que ele fazia com outras pacientes dentro do consultório. O fato é que o abuso ocorreu e isso é um crime e todo crime deve ser denunciado e punido”, frisa.

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O Conselho Regional de Medicina de Goiás (Cremego) apura a conduta do médico desde sua prisão, em 23 de janeiro deste ano. Segundo a acusação apresentada pelo Ministério Público à Justiça, em 15 de fevereiro desse ano, os crimes ocorreram entre 1994 e 2018 e a forma de atuação do médico ocorria sempre de forma semelhante. Ele introduzia o dedo nas genitais das vítimas e as ofendia verbalmente enquanto elas estavam deitadas na maca para a realização da consulta. Isso sempre ocorria dentro do consultório.

O médico já havia sido condenado por violação sexual mediante fraude de outras pacientes em 2015 e recebeu como pena multa de R$ 5 mil, além de três anos de prisão, convertidos em serviços comunitários. Mesmo assim ele continuou trabalhando e cometendo os abusos, segundo consta no inquérito e na denúncia. O médico, à época, também declarou que não tinha especialização, mas atuava como ginecologista há vários anos.

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