A nova presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Cármen Lúcia, quebrou o protocolo e iniciou o seu discurso cumprimentando o “cidadão brasileiro”. De uma maneira geral, em solenidades oficiais, o discurso é iniciado com cumprimentos às autoridades das diferentes esferas de Poder.
“Não temos o Brasil que queremos, o mundo que achamos que merecemos”, discursou a nova presidente do STF, ressaltando que iniciava a fala cumprimentando “o povo”, para que “cada cidadão brasileiro se sinta saudado por mim e por este STF”.
Com mandato de dois anos, a ministra sucede a Ricardo Lewandowski. O novo vice-presidente é o ministro Dias Toffoli. A sessão começou com atraso de meia hora e teve cerca de 2 mil convidados.
Estiveram presentes o presidente Michel Temer, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, os presidentes da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM/RJ), e do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), que compõem a mesa de honra, além de outras autoridades, como o governador de Goiás, Marconi Perillo. Esta é a primeira vez que Lula comparece a uma posse no Supremo após deixar a presidência da República. Lula foi o responsável pela nomeação de sete dos atuais ministros do STF.
A cerimônia foi aberta com o cantor e compositor Caetano Veloso interpretando o Hino Nacional. Em seguida, os ministros prestaram juramento à Constituição.
Empossados, Cármen e Toffoli vão receber os cumprimentos dos convidados e dos membros da Corte.
O discurso
A nova presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministra Cármen Lúcia, afirmou na tarde de hoje (12), em seu discurso de posse, que o “cidadão brasileiro não há de estar satisfeito hoje com o poder Judiciário”. Segundo ela, o “juiz também não está”.
“Talvez estejamos vivendo tempos mais difíceis. Talvez, porque também cada geração tenha a ilusão e um pouco de soberba de achar que o seu é o maior desafio. Mas é certo que se modificaram na raiz os paradigmas antes adotados, exauriram-se os modelos estatais antes aproveitados. O sonho de ser feliz e de viver numa sociedade justiça é o mesmo, o de sempre. Alguma coisa está fora de ordem”, disse.
Segundo ela, vivemos hoje tempos tormentosos e há que se fazer a travessia para tempos mais pacificados. Cármen Lúcia disse que nosso tempo exige maior cuidado, “prudência pra saber ouvir, entender e coragem pra enfrentar o que precisa ser mudado, respeitado, a despeito de interesses”.
A presidente do STF afirmou que a luta pela justiça parece mais firme, “fruto, no caso brasileiro, da experiência democrática”. Ela reconheceu, no entanto, ser de “inegável gravidade e difícil solução rápida” o julgamento em prazo razoável de processos multiplicados.
Para Cármen Lúcia, a transformação há de ser conseguida em benefício exclusivamente do jurisdicionado. “No que o Judiciário não deu certo, há de se mudar”, disse, acrescentando que o momento parece ser de travessia e afirmando que as dificuldades do atual momento exigem mais coragem.
Ela destacou que o cidadão quer sossego para andar nas ruas do País, com segurança e citou trecho da música: “Ninguém quer só comida, a gente também quer diversão e arte”.
Segundo a presidente do STF, o tempo é de esperança. “Todo mundo quer um Brasil mais justo. Cansamos de ser país de um futuro que não chega nunca; o futuro é hoje”. Cármen Lúcia prometeu transparência na sua gestão e disse que Justiça não é milagre, mas que jurisdição não é mistério. “O Judiciário brasileiro sabe dos seus compromissos e responsabilidades”, completou.
Da Redação com Agência Estado













































