O Tribunal do Júri de Rio Verde, no sudoeste de Goiás, condenou Ronaldo Silvano Moreira a 16 anos, 7 meses e 31 dias de prisão pela morte do advogado Cássio Bruno Barroso, assassinado a tiros em outubro de 2024. A decisão foi proferida nesta quinta-feira (1º) e ainda cabe recurso.
Cássio Bruno foi morto em frente ao escritório onde trabalhava, em Rio Verde. Imagens de câmeras de segurança registraram o momento em que ele saiu do local, caminhou em direção a uma caminhonete e foi baleado quando tentava entrar no veículo.
Durante o julgamento, o Conselho de Sentença reconheceu que Ronaldo teve participação de menor importância no homicídio. Os jurados também afastaram as três qualificadoras apresentadas pelo Ministério Público de Goiás (MPGO): promessa de recompensa, uso de recurso que dificultou a defesa da vítima e emprego de arma de fogo de uso restrito.
Com isso, o crime foi desclassificado para homicídio simples com a aplicação da minorante, resultando em uma pena de 7 anos, 11 meses e 9 dias de reclusão pelo assassinato.
Além da condenação pelo homicídio, Ronaldo recebeu outras penas pelos crimes de associação criminosa armada e adulteração de sinal identificador de veículo. As condenações ficaram definidas da seguinte forma:
– Homicídio simples com participação de menor importância: 7 anos, 11 meses e 9 dias de prisão
– Associação criminosa armada: 2 anos, 4 meses e 16 dias de reclusão
– Adulteração de sinal identificador de veículo: 4 anos, 9 meses e 5 dias de reclusão, além de 16 dias-multa
A sentença foi assinada pelo juiz Alexandre Moraes Costa de Cerqueira, titular da 4ª Vara Criminal e presidente do Tribunal do Júri da Comarca de Rio Verde. O magistrado determinou o início imediato do cumprimento da pena em regime fechado, com base na soberania dos vereditos do Júri e em entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF).
Na mesma sessão, Andreia Cabral de Souza e Lara Oliveira da Silva, que também respondiam à ação penal, foram absolvidas.
Em nota, a defesa de Ronaldo e Andreia afirmou que “não há vencedores” em situações como essa. Os advogados manifestaram solidariedade à família da vítima e às pessoas envolvidas no processo, além de informarem que irão recorrer da pena imposta a Ronaldo.
A defesa de Lara declarou ter recebido a absolvição com emoção e respeito à decisão dos jurados. Segundo os advogados, o resultado representa o compromisso de garantir que a acusada fosse julgada com base nas provas e com seus direitos assegurados.
Crime teria relação com disputa agrária
Cássio Bruno Barroso foi morto com cinco tiros em 3 de outubro de 2024. Conforme as investigações, o crime teria sido motivado por uma disputa agrária em Água Boa, no Mato Grosso.
O advogado atuava em uma ação de reintegração de posse envolvendo uma fazenda avaliada em cerca de R$ 100 milhões e defendia interesses contrários aos dos suspeitos. Oito pessoas chegaram a ser presas durante a investigação. Atualmente, cinco permanecem detidas e aguardam julgamento.
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